Guggenheim quer o Forte de Copacabana

A Fundação Guggenheim não só elegeu o Rio como prioridade para a construção do primeiro Museu Guggenheim na América Latina, como também já escolheu a localização geográfica preferida para o futuro museu: o Forte de Copacabana.Nos próximos dias, desembarca no Rio de Janeiro o presidente da Fundação Guggenheim de Nova York, Thomas Krens, para intensificar os contatos com o Comando Militar do Leste (CML) e tentar a cessão do local para a construção do Guggenheim. Mas a força armada não parece muito convencida ainda. A reportagem entrou em contato com a Comunicação Social do Exército e não obteve resposta até o fechamento desta edição.O principal argumento do Guggenheim para convencer o Exército e a cidade do Rio de Janeiro é econômico. Após instalação de um museu Guggenheim em Bilbao, na Espanha, a cidade multiplicou o afluxo de turistas. O governo basco investiu US$ 100 milhões na construção do museu, e obteve o retorno em apenas dois anos.Atualmente, o Rio de Janeiro recebe em média 2 milhões de turistas por ano. O plano do Guggenheim não implica mexer na construção histórica, mas sim integrá-la a um novo edifício, a ser construído. O projeto será provavelmente do arquiteto americano Frank O. Gehry, o mesmo que projetou o Guggenheim de Bilbao.O Forte de Copacabana, uma das sete fortalezas do Exército na região, foi inaugurado em 1914 e ocupa uma área total de 114.169 m2. Na época de sua inauguração, foi considerado, segundo o site do Exército, "a mais moderna praça de guerra da América do Sul". Erguido em forma de casamata, com 40 mil m2 de área construída e 12 metros de espessura em suas paredes externas, o forte contava com canhões alemães Krupp, alojados em cúpulas encouraçadas e móveis.É dotado de usina elétrica própria, depósitos de víveres e munição, refeitório, cozinha, alojamentos e enfermaria, serviu como unidade de artilharia e foi palco de acontecimentos históricos importantes, como o Dezoito do Forte. Atualmente, abriga o Museu Histórico do Exército, aberto diariamente à visitação pública.Dos fortes do Exército no Rio, o de Copacabana e o do Leme são mais recentes, do início do século. O Museu do Exército de Copacabana oferece uma viagem didática à história do Exército brasileiro, por meio de animações de importantes batalhas, como a de Guararapes. O forte conta ainda com canhões de 1920, minas e material de artilharia, além de uniformes militares de época.Há dois anos, houve uma reunião entre o comandante do CML, general José Luiz Lopes da Silva, do 1.º Distrito Naval, vice-almirante Alberto Carlos Aguiar, e do III Comando Aéreo Regional (Comar), major-brigadeiro Fernando Mendes Nogueira, com o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, para incrementar a participação das Forças Armadas no turismo do Rio. O principal ponto do acordo era abrir à visitação as fortalezas históricas, instaladas em alguns dos pontos mais belos da cidade.Thomas Krens visitará o Rio e São Paulo nos próximos dias. Oficialmente, ele está no Brasil cuidando de detalhes da exposição Brazil: Body and Soul, parte da itinerância da Mostra do Redescobrimento, que ocupará, de setembro de 2001 a janeiro de 2002, os museus Guggenheim em Nova York e Bilbao.Em outubro, o presidente da fundação assinou com o presidente da Associação Brasil + 500, o banqueiro Edemar Cid Ferreira, um protocolo que prevê a construção do museu Guggenheim no Rio, além de um concert hall, um centro de convenções, hotel, shopping center e restaurantes em torno do prédio principal.

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