Guggenheim não será "jóia na paisagem"

Thomas Krens, presidente da Fundação Guggenheim, deu entrevista hoje pela manhã sobre o interesse em trazer para o Brasil uma filial do museu. Ao lado do arquiteto Frank O. Gehry, que projetou o famoso museu de Bilbao, e de Edemar Cid Ferreira, presidente da Associação Brasil+500 e do Brazil US Council, Krens reafirmou um grande interesse no Brasil para receber o museu, e quando perguntado se o Rio é mesmo a cidade preferida disse que "a resposta curta é sim, mas depende de um estudo"."Estamos no início do processo", disse Krens, referindo- se ao estudo das quatro cidades brasileiras - Rio, Curitiba, Salvador e Recife - que a fundação vai iniciar com as visitas que pretendem fazer até domingo. Os critérios de escolha são arquitetônicos, mas Krens garantiu que leva em consideração aspectos econômicos e sociais da cidade escolhida. "Precisamos aprender sobre a vida cultural da cidade antes de tomar uma decisão", ele disse, "não adianta fazermos um belo prédio que a população deteste". O estudo de viabilidade demorará seis meses e vai custar entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões. Krens falou que a aposta na América Latina, em especial o Brasil, vem do interesse demostrado por empresários e governos daqui. Em uma de suas poucas afirmativas concretas, disse que existe um grande interesse do Rio em tornar-se o centro de cultura na América Latina.Frank Ghery sobrevoou o Rio de Janeiro ontem, acompanhado da comitiva. Ao ser perguntado hoje qual vista teria gostado mais, limitou-se a dizer que quer algo integrado à cidade. "Não queremos colocar uma jóia na paisagem", afirmou. Deixando claro que a fundação Guggenheim fará uma série de viagens ao Brasil durante os próximos seis meses, Thomas Krens citou as áreas mais recomendadas pelas autoridades locais: o Forte de Copacabana e a área portuária da Praça Mauá. "Copacabana parece bom demais, mas haverá transporte e serviços básicos para um público de, talvez, dois milhões de pessoas?", perguntou Krens.Entretanto, sem deixar transparecer nenhuma certeza, o diretor da fundação Guggenheim saiu-se com uma tirada de bom humor: "temos que fazer um Feng Shui da cidade para sentir as vibrações do local", provocando risadas da platéia de jornalistas ao mencionar a técnica chinesa de arrumar objetos no espaço. Krens está no Brasil pela primeira vez e se impressionou com o tamanho do País. Ao ser perguntado sobre a possibilidade de se fazer mais de um museu no Brasil ele não quis dar certezas, mas disse o que pensa a respeito de museus: "se posso escolher entre fazer um museu como o de Bilbao ou três menores, acho que ficaria com a segunda hipótese", disse o diretor da fundação Guggenheim.Frank Gehry admitiu que pode agrupar arquitetos brasileiros no trabalho de projetar o novo museu. Hoje à noite a comitiva tem um jantar marcado na casa de Oscar Niemeyer, ao qual comparecerá o também arquiteto Rui Ohtake. Durante a tarde, vão passear pelos locais cogitados para receber o museu.

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