Guggenheim expõe reinvenções de Frank O. Gehry

Há 48 anos, numa instalação temporária erguida na esquina da 5.ª Avenida com a Rua 89, a exposição 60 Years of Living Architecture fazia a retrospectiva da carreira do arquiteto americano Frank Lloyd Wright. Nela era apresentado o projeto do que, seis anos depois, se tornaria um dos marcos arquitetônicos de Nova York, o prédio do Museu Guggenheim, construído no mesmo lugar onde foi feita a mostra. Agora, uma exposição semelhante instalada naquele prédio homenageia Frank O. Gehry, o arquiteto que tem seu nome celebrizado em todo o mundo e definitivamente relacionado ao do museu desde a criação do Guggenheim de Bilbao, na Espanha.Frank Gehry: Architect, um show de formas arquitetônicas esculturais, é a maior mostra do trabalho de um arquiteto já realizada num museu americano. A retrospectiva, em exibição até o dia 26, ocupa rampas e galerias do edifício criado por Wright, exibindo cerca de 40 projetos. Entre eles está o do novo Guggenheim projetado pelo próprio Gehry, obra a ser erguida à beira do East River, no sul de Manhattan, e inaugurada por volta de 2008.Numa das galerias por onde se estende a retrospectiva foi recriado o estúdio de Gehry. Ali é visto apenas um projeto, o do Ray and Maria Stata Center do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que demonstra a forma de trabalho dele, desde a concepção até o início da construção. Com desenhos, plantas, maquetes, móveis, objetos de decoração, fotografias e vídeos, a exposição segue depois para o Guggenheim de Bilbao, onde será exibida entre os meses de outubro a fevereiro. Parte dela também pode ser vista na Internet (www.guggenheim.org/exhibitions/gehry). Disposta de forma mais ou menos cronológica, a retrospectiva reúne desde o primeiro projeto de renovação que o arquiteto fez, em 1977, para sua casa em Santa Mônica, na Califórnia, até os que estão sendo construídos atualmente, comissionados por grandes corporações, como o do Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, e o do DG Bank, em Berlim. Ao longo das rampas, grandes fotografias estendem-se nas paredes, como um filme narrando a carreira dele.A própria montagem da mostra é um projeto com a assinatura de Gehry. A equipe que trabalha no seu escritório, em Los Angeles, produziu um cenário arquitetural no interior do museu com enormes faixas de tela de alumínio onduladas - um dos traços mais característicos nas criações dele. Suspensas nas vigas da clarabóia, as faixas descem pelos sete andares da rotunda como um gigantesco móbile. Feitas para sugerir uma obra em andamento, elas refletem um dos conceitos de Gehry, o de que "edifícios em construção parecem muito mais bonitos do que edifícios prontos".Curvas - Frank O. Gehry, de 71 anos, é canadense nascido em Toronto e naturalizado americano. Sua família se mudou para os Estados Unidos quando ele tinha 17 anos. Formado pela University of Southern California, ele também estudou planejamento urbano na Harvard University Graduate School of Design. Em 1961, foi trabalhar num escritório de arquitetura em Paris, onde ficou por um ano. Quando voltou para Los Angeles, abriu o próprio escritório.Na década de 60, ele produziu diversos trabalhos, mas o que lhe trouxe notoriedade mesmo foi a primeira reforma de sua casa, entre 1977 e 1978. Em torno do pequeno sobrado de madeira pintado de rosa, Gehry literalmente construiu outra casa, com piso de asfalto na cozinha, janelas cubistas para o céu, paredes de compensado, placas de metal corrugado e tela de aço galvanizado - um material que detestava ver nas cercas de proteção de construções. As dezenas de projetos residenciais que se seguiram lhe deram a liberdade de experimentar e inovar nas formas.

Agencia Estado,

15 de agosto de 2001 | 11h53

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