Guggenheim expõe barroco brasileiro

A curadora-chefe do museu Guggenheim de Nova York, Lisa Dennison, disse hoje em São Paulo que a instituição vai procurar possibilitar ao público americano a "experiência fantástica e a paixão do barroco brasileiro" na mostra que se abrirá em setembro do ano que vem nos EUA. "Vamos buscar mostrar a experiência do barroco e sua inserção na paisagem mineira", afirmou Lisa, que passou três dias visitando museus, igrejas e coleções particulares de arte barroca brasileira em Minas Gerais. Ela esteve acompanhada de um grupo de curadores e consultores do Guggenheim e encontrou-se em Ouro Preto com o secretário de Estado da Cultura de Minas, Ângelo Oswaldo. Segundo Lisa Dennison, a viagem possibilitou contato com a "fantástica arquitetura e a paisagem das igrejas de Minas Gerais" e é um dos esforços de pesquisa da equipe de curadores mineiros para buscar idéias e inspiração para a mostra "Brazil - Body and Soul" (Brasil - Corpo e Alma), que será aberta no Guggenheim em 23 de setembro de 2001, com cerca de 250 obras do País. A exposição buscará justapor peças barrocas dos séculos 17 e 18 com trabalhos do modernismo e da arquitetura brasileiras. Lisa Dennison esteve em Mariana, Sabará, Ouro Preto Belo Horizonte e Congonhas do Campo, onde está boa parte da obra de Antônio Lisboa, o Aleijadinho. "Trata-se do maior artista do barroco, que produziu uma arte teatral e celebratória", ela disse.A curadora-chefe do Guggenheim é também crítica de arte e ensaísta. Ela organizou (com Raymond Foye e Gita Mehta) o volume da exposição de Francesco Clemente em curso no Guggenheim e é autora do ensaio "Once You Begin the Journey You never Return", contido no catálogo. Também publicou Angles of Vision - French Art Today (1986), Masterpieces from Guggenheim (1995, em co-autoria com Thomas Krens) e Paul Klee at the Guggenheim Museum (com Andrew Kagan).Ela discordou da opinião de seu colega Julian Zugazagoitia, também curador do Guggenheim, de que o barroco brasileiro tenha como característica mais evidente a sensualidade. "É um dos componentes, mas não é o principal", ela afirmou. "De qualquer modo, nós temos especialistas no período, como o professor Edward J. Sullivan (professor de artes da New York University) e David Underwood (professor do Centro de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos da NYU) para examinar melhor essas peculiaridades", ela disse.Segundo Lisa Dennison, as exposições de arte brasileira no dois museus Guggenheim (de Nova York e Bilbao) são ocasiões únicas para o público norte-americano ter uma idéia do "modernismo contínuo" que vigorou e ainda vigora no País. As exposições terão um custo de US$ 8,5 milhões, segundo o presidente da Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais, Edemar Cid Ferreira. A associação é quem banca os custos.Para a mostra em Nova York, eles planejam levar uma capela barroca completa e um altar. Várias peças já foram definidas, segundo os curadores, mas eles ainda querem visitar Salvador e Brasília em sua pesquisa. Os nomes dos principais artistas já estão pré-selecionados. Do barroco, vão Manuel Inácio da Costa, frei Agostinho da Piedade, Francisco Xavier de Brito e, claro, Antônio Francisco Lisboa - o Aleijadinho. Entre os modernistas, estarão Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Vicente do Rego Monteiro, Anita Malfatti e Lasar Segall.A exposição também vai incluir exemplos de arte conceitual e de artistas performáticos dos anos 50, 60 e 70. Entre eles, estão Hélio Oiticica, Lygia Clark e outros. A parte arquitetônica vai dar ênfase ao trabalho de Niemeyer, Lúcio Costa e do paisagista Burle Marx. (J.M.)

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