Guggenheim assume risco por obras brasileiras

O Museu Guggenheim de Nova York assumiu "irrevogável e incondicionalmente" toda a responsabilidade pela manutenção e guarda das 400 obras de arte que seguirão para Nova York, para a exposição Body and Soul, no seu edifício da Quinta Avenida. A exposição será aberta no dia 18 de outubro.O valor das obras brasileiras, entre elas peças fundamentais do barroco nacional, foi arbitrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em US$ 158 milhões. O Guggenheim fez um seguro de US$ 200 milhões para o lote e dois seguros adicionais, ambos de US$ 20 milhões, para o altar-mor da Igreja do Mosteiro de São Bento de Olinda.Ontem, liminar concedida pelo juiz federal Roberto Wanderlei Nogueira (a pedido do Ministério Público Federal) suspendeu a ida aos Estados Unidos do Altar-Mor da Igreja do Mosteiro de São Bento de Olinda. O MP alegou receio de ataques terroristas e inadequação do seguro para com esse tipo de problema. O altar já estava pronto para ser embarcado para os Estados Unidos.A exposição é o maior evento do projeto, ocupando todos os andares do museu da Quinta Avenida, no que Edemar Cid Ferreira, presidente da BrasilConnects, vem chamando de "o maior evento de um País nos Estados Unidos". O Iphan tentava até hoje, infrutiferamente, cassar a liminar - pelo menos até o começo da tarde, segundo informou à reportagem a Fundação Joaquim Nabuco, de Pernambuco, também envolvida na liberação da obra.A mudança nas regras do seguro e no envolvimento do Guggenheim foi uma exigência dos colecionadores que emprestaram obras para a fundação. Como o seguro era coletivo, os colecionadores receberam certificados no qual a fundação afirmava que poderia mudar as apólices a seu critério, sem consultar os donos das peças. "Este certificado não garante direitos a seu portador", dizia o texto.A BrasilConnects (antiga Associação Brasil + 500) pretende promover uma verdadeira "invasão brasileira" em Nova York, a partir do dia 14 de outubro. Nessa data, será aberta a primeira exposição de artistas brasileiros no nova-iorquino Museo del Bairro (1230, Fifth Avenue).Ferreira montou uma agenda brasileira prolífica na cidade. No dia 15 de outubro, haverá um show de bossa nova no Carnegie Hall. No dia 16, recepção para brasileiros no Museu Histórico de Nova York. No dia 17, abre-se uma exposição de artistas brasileiras no National Women Museum. No dia 18, seria a vez da exposição Body and Soul, no Guggenheim. Além disso, 15 galerias independentes da cidade estarão com mostras de brasileiros.Para que a coisa toda não seja vista como uma festa inoportuna na cidade, Ferreira também preparou para o dia 20, sábado, na Catedral de St. Patrick, uma missa fúnebre em memória dos mortos brasileiros no World Trade Center - são 5 nomes confirmados até agora. A BrasilConnects está levando 20 monges beneditinos para a cidade, para entoar cantos gregorianos na cerimônia.Em carta aos colecionadores, datada do dia 17 deste mês, o presidente da Fundação Guggenheim, Thomas Krens, empenha sua palavra pessoal no cuidado com as obras. "Estamos levando uma parte importante do acervo cultural do País para Nova York", disse Edemar Cid Ferreira. "Isso mostra que o Brasil é o primeiro País que aposta nos Estados Unidos e dá aval para a segurança de Nova York, contribuindo para que a cidade volte à sua normalidade", afirmou. Segundo Ferreira, o Museu Guggenheim terá segurança reforçada durante a duração da mostra, que será de quatro meses.

Agencia Estado,

21 de setembro de 2001 | 16h22

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