GUERREIRO DIGITAL

Nova temporada de Spartacus chega ao Brasil exibida apenas na internet

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2013 | 02h16

Apesar de viver na Roma antiga, o guerreiro Spartacus está conectado na internet. Batizada de War of the Damned, a terceira temporada da série que leva o nome do personagem chega hoje ao Brasil em alta definição, mas estará disponível apenas no site do Muu, plataforma de vídeo sob demanda para assinantes da Net e CTBC, com acesso por computadores, tablets e smartphones.

O lançamento online foi uma manobra do +Globosat, que exibiu as temporadas anteriores, para driblar um problema contratual. O acordo de transmissão para a série inclui apenas capítulos em alta definição, porém, como o canal - antigamente chamado Globosat HD, por exibir somente programas nesse formato - passou a ter programação em standart definition ao fazer parte do pacote básico das operadoras, não foi possível exibir a atração na televisão. Os assinantes não serão cobrados para assistir, mas é preciso se cadastrar no www.muu.tv. A cada semana, um novo capítulo ficará disponível na página do Muu.

A terceira etapa da série, confirmada como a última por seus produtores, gira em torno do derradeiro embate entre Spartacus (Liam McIntyre) e o general romano Marcus Crassus (Simon Merrells), responsável por acabar com a rebelião liderada pelo ex-gladiador em busca da liberdade para os escravos.

A trama da nova fase se passa meses depois da vitória do exército rebelde de Spartacus sobre o inimigo Gaius Claudius Glaber (Craig Parker) e suas tropas. Ao lado dos generais Crixus (Manu Bennett), Gannicus (Dustin Clare) e Agron (Dan Feuerriegel), o guerreiro vence sucessivas batalhas contra os romanos. A adesão de milhares de rebeldes à causa do protagonista aumenta a preocupação em Roma.

"Nesta temporada, entraremos no aspecto de guerra do Spartacus. Já ouvi histórias de que o exército dele passou de 40 mil para 120 soldados", conta Steven S. DeKnight, produtor executivo e criador da série, inspirada em relatos reais do guerreiro, aqui chamado de Espártaco. Para o autor, o fato de a atração narrar uma história real quebra um pouco do mistério.

"Isso me faz pensar no Titanic, que todo mundo sabe o final. Mas mostramos como ele chega lá (à batalha). É uma experiência que deixa satisfeito o público que acompanhou nesses quatro anos. O que quis explorar foi como Spartacus e seus rebeldes têm uma vitória ao enfrentar Crassus e César, mesmo que os romanos sejam os vitoriosos", explicou DeKnight em uma teleconferência com jornalistas de diferentes países.

O protagonista Liam McIntyre diz que sentirá falta de rodar a série apesar de se sentir cansado. "Você não tem muita vida enquanto está gravando. Acordo às 4 h e vou trabalhar durante todo o dia. Depois, vou para a academia, fico por lá uma ou duas horas. Então, vou para casa para estudar o roteiro dos dois dias seguintes. Repenso tudo o que fiz para tentar melhorar. Aí, já são 22 h e só tenho seis horas até ter de levantar de novo. É cansativo. Os dublês estão cansados. A jornada psicológica também é cansativa. Porém, ele é um dos grandes personagens da história (da humanidade). Então, acho que sou um homem de sorte por fazê-lo", avalia o ator australiano, que gravou na Nova Zelândia.

McIntyre substituiu Andy Whitfield no papel principal em 2011, quando o então protagonista morreu, aos 37 anos, vítima de um câncer linfático. "Ao mesmo tempo que essa série ficou marcada pela tragédia do Andy, minha vida mudou completamente. Em alguns momentos da temporada anterior, tive instantes de perda de confiança", confessa o ator, que relembra momentos difíceis. "O Dan (Feuerriegel) diz que a vida imita a arte às vezes. Na série isso aconteceu comigo. No dia em que entrei no campo de luta do Spartacus, fiquei pensando como conseguiria enfrentar todos aqueles machos alfa do elenco e ser o líder daqueles homens. Não tem a ver comigo, não conseguia me ver naquilo. Ao longo da temporada, fui aprendendo a ser o líder da série. Foi uma experiência estranha que nunca tive."

Para o artista, o que ele passou nas gravações se refletiu na ficção. "Acho que é assim que Spartacus fica em sua jornada em War of the Damned. Ele se torna uma pessoa que não tem mais questões nem dúvidas. Ele sabe o que tem de fazer e que ninguém pode fazer no lugar dele. É algo que força a sua vontade de fazer o que é preciso, mas também sabe que é quase impossível derrotar a maior potência militar da época", filosofa.

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