Guerra via web ameaça os EUA?

Especialista que trabalhou no governo norte-americano alerta sobre ciberterrorismo

, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2010 | 00h00

Blecautes atingem Nova York, Los Angeles, Washington e mais de cem outras cidades americanas. Composições do metrô se chocam. Trens descarrilam. Aviões caem do céu. Gasodutos explodem. Plantas químicas liberam nuvens tóxicas de cloro, bancos perdem todos os seus dados. Satélites de comunicação e climáticos saem de suas órbitas. E as redes de informações secretas do Pentágono paralisam, cegando a maior potência militar do mundo.

Isso pode parecer algo saído do filme Duro de Matar (2007), com Bruce Willis, em que grupo de ciberterroristas tenta realizar o que chama de "liquidação total": o desligamento sistemático da infraestrutura vital de comunicações e serviços públicos.

Mas, segundo o ex-diretor-geral das atividades de contraterrorismo, Richard A. Clarke, esse pode ser um cenário da vida real. Ele diz que, apesar de os Estados Unidos terem uma capacidade "ciberofensiva" de primeira linha, o fato de não terem um sistema de defesa confiável, combinado com a pesada dependência de tecnologia do país, o torna altamente suscetível a um ciberataque devastador.

Para que isso não pareça o augúrio de algum alarmista, o leitor deve lembrar-se de que Clarke, o chefe de contraterrorismo das administrações de Bill Clinton e de George W. Bush, advertiu reiteradamente seus superiores sobre a necessidade de um plano agressivo para combater a Al-Qaeda.

Ele relatou sua campanha em seu polêmico livro de 2004, Against All Enemies (no Brasil, Contra Todos os Inimigos, Editora Francis, 340 págs, esgotado). Nas páginas de sua nova obra, Cyber War, ele usa seus conhecimentos para criar um pavoroso, e persuasivo, quadro da ameaça de ataque via internet que os Estados Unidos enfrentam hoje.

Clarke ? que escreveu esse livro com Robert K. Knake, pesquisador de assuntos internacionais no Conselho de Relações Exteriores ? argumenta que, por causa da dependência muito pesada dos militares norte-americanos de bases de dados e de novas tecnologias, eles são "altamente vulneráveis a um ciberataque".

Há mais de uma década que Richard Clarke vem advertindo sobre "um Pearl Harbor eletrônico". Qual a melhor maneira de enfrentar essa situação alarmante? Clarke relata que uma reunião em 2009 de cerca de 30 "veteranos" em ciberespaço chegou à conclusão de que as infraestruturas críticas deviam ser separadas da internet "aberta a todos". / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

CYBER WAR

Autores: Richard A. Clarke e Robert K. Knake

Editora: Ecco/HarperCollins Publishers

(Importado, 290 páginas , US$ 25,99)

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