Guerra rouba cena na Feira de Frankfurt

Os leitores de todo o mundo estão sedentos por informações sobre o Islã, Osama bin Laden e Nova York, afirmam editores presentes na 53.ª edição da Feira de Frankfurt. Na quinta-feira, 11 de outubro, Frankfurt guardou um minuto de silêncio em homenagem aos mortos no 11 de setembro. De todo o modo, é possível identificar pelo menos mais uma grande vítima dos atentados: a Grécia. Apesar da presença de representantes de editoras de todo o mundo, normalmente o país homenageado consegue atrair uma atenção especial dos visitantes.Neste ano, contudo, as questões envolvendo o islamismo e o orientalismo estão na ordem do dia. E a Grécia é um país cristão - e ortodoxo -, o que a deixa particulamente desinteressante na disputa entre a coalizão liderada pelos Estados Unidos e o terrorismo. Ou seja, parece que os US$ 5,6 milhões que o país gastou no evento não trarão o retorno esperado.Chamam, evidentemente, mais a atenção obras como a nova biografia de Osama bin Laden, escrita por Michael Pohly e Khalid Duran. Também está causando sensação Minha Face Proibida, escrito por uma mulher que se identifica apenas como Latifa e que esteve no Afeganistão em maio. Outra biografia do principal suspeito dos ataques terroristas, Osama bin Laden, assinada por Claus-Martin Carlsberg, já está na sua terceira edição: e, portanto, atrai a atenção dos editores de todo o mundo.Imam Beker, porta-voz da Associação Islâmica Alemã, que tem um estande na feira, disse que 40 cópias de um livro básico sobre o Islã foram obtidos por interessados no assunto. Como o comércio de livros é proibido e o público presente é formado especialmente por profissionais, isso significa que há uminteresse enorme de editoras de todo o mundo em sua publicação. "É evidente que cresceu o interesse em cultura oriental, especialmente daqueles envolvidos em política e jornalismo, disse o relações públicas da Kohlhammer, uma editora alemão que vende traduções do Corão e publica livros sobre o islã.Na opinião de vários editores, o interesse pela literatura étnica também se reflete nos últimos premiados com o prêmio Nobel de Literatura, o britânico de família indiana e nascido em Trinidad V.S. Naipaul e o chinês Xingjang Gao. Mas, fora isso, o show vai continuar? Numa avaliação inicial da feira deste ano, a revista especializada no mercado editorial Publisher´s Weekly, diz que a resposta à pergunta é sim. Segurança rígida na entrada, desistência de 31 editoras norte-americanas (entre 800) e 6 da Grã-Bretanha, menor movimento na área em que as editoras dos EUA estão concentradas, nada disso vai ser suficiente para estragar completamente afesta, na opinião de John Mutter, em artigo estampado no alto dosite da revista."Todos os exibidores têm histórias para contar sobre colegas, em particular aqueles que são pais, pensavam em ir a Frankfurf, mas decidiram voltar atrás depois dos ataques dos EUA ao Afeganistão", escreve ele. Segundo um editor citado por ele, "grandes negócios estão sendo fechados", mas o clima é umtanto depressivo. A cidade, segundo os relatos, está praticamente vazia, se comparada com o ano passado: a freqüência a hotéis teria caído em 28%. Em outubro de 2000, quem decidisse ir a Frankfurt de última hora tinha de se contentar com um hotel a 40 minutos de carro do centro: isso quando não havia trânsito.Segundo o jornal espanhol El Pais, "o ambiente de preocupação e desconcerto" é evidente, "mas os editores já começaram a falar de livros e novos projetos". Para a Espanha, entre os negócios considerados relevantes pelo jornal, está o acordo de edição de relatos póstumos de Patricia Highsmith pelas editoras Anagrama (em castelhano) e Calumna (em Catalão).Para a edição da feira do próximo ano, refletindo o impacto dos atentados e da guerra no Oriente, os organizadores planejam organizar encontros entre escritores, cientistas, economistas e pensadores políticos em torno da discussão do "futuro da humanidade". Para um autor grego presente no evento, Petor Markaris, "nenhum escritor ou cineasta pode continuar a fazer o mesmodepois do que ocorreu no dia 11 de setembro". Outro, Durs Gruenbein, que parece ter tido mais sorte, segundo o Sueddeutsche Zeitung, esté menos preocupado: ele é autor de um romance chamado Outono do Terror. Outro impacto dos eventos do dia 11 de setembro foi a ausência, incomum, doprimeiro-ministro alemão na abertura, no dia 9. Gerhard Schroeder teve de cancelar sua ida devida a uma viagem aos Estados Unidos.

Agencia Estado,

12 de outubro de 2001 | 16h42

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.