Guel Arraes traz "Lisbela e o Prisioneiro" a São Paulo

Depois de uma temporada de muito sucesso no Rio, estréia amanhã no Teatro Hilton a comédia Lisbela e o Prisioneiro, do pernambucano Osman Lins, dirigida pelo também pernambucano Guel Arraes. Produzido por Paula Lavigne, o espetáculo tem na trilha a canção Lisbela composta especialmente por Caetano Veloso, sobre poema de José Almino, irmão de Guel.Assim como a minissérie O Auto da Compadecida, de Ariano Suasssuna - uma entre as muitas direções de Arraes na televisão - Lisbela também nasceu como especial de TV, com Giulia Gam como protagonista. Só que desta vez, em lugar de seguir para as telas de cinema, ganhou o palco, na primeira incursão de Guel como diretor teatral."Em 1993, trabalhei numa série de dez adaptações de obras literárias para a televisão e, na época, escolhi Lisbela por ser uma comédia comédia leve, regional, meio aparentada com o Auto da Compadecida", diz Arraes. "Já conhecia, claro, a obra de Osman Lins, um escritor de linguagem arrojadíssima , porém nessa comédia, a linguagem é bem diferente de sua literatura."Guel credita à trama bem urdida o principal motivo da escolha, além da existência de personagens típicos das comédias populares - não confundir com popularescas - como a mocinha apaixonada, o conquistador, o valentão e a autoridade ridícula. No palco, Virgínia Cavendish é Lisbela, a mocinha sonhadora, fã dos filmes românticos americanos, noiva de Douglas, interpretado por Lucio Mauro Filho. "No original, Douglas era um advogado, o galã ridículo. Na peça, ele é um sujeito que fez uma viagem ao Rio e volta falando carioquês, contando vantagens da cidade grande", diz Guel.Mas o herói dessa história é mesmo Leléu, vivido por Bruno Garcia. "Ele é o tipo mais original criado por Osman, sua grande contribuição para os personagens picarescos, porque mistura aquela malandragem do João Grilo com uma característica de conquistador, aspecto que em geral esse personagem não possui", comenta o diretor. Quando a história começa, o conquistador Leléu está metido em apuros. Ele conquistara Inaura (Lívia Falcão), ninguém menos do que a mulher do matador Frederico Evandro, interpretado por Marcos Oliveira.Descoberta a traição, ele foge para uma cidade do interior, onde apresenta-se no circo. Ali é visto por Lisbela, que se apaixona pelo "artista". Tudo estaria muito bem para Leléu, se ele também não caísse de amores por Lisbela. A partir daí, vai se criar muitas artimanhas e se meter em mil e uma peripécias para conseguir escapar a um só tempo do Delegado Guedes (Emiliano Queiróz) e do matador. Para isso, conta com um precioso aliado: o "tonto" Cabo Citonho, vivido por Tadeu Mello.A encenação de Guel tem ritmo acelerado, "os atores terminam a apresentação exaustos", e brinca com a linguagem do cinema. "Como a mocinha sonha com os heróis dos seus filmes, algumas peripécias começam no palco e terminam na tela."Lisbela e o Prisioneiro. Comédia. De Osman Lins. Adaptação Guel Arraes, Jorge Furtado e Pedro Cardoso. Direção Guel Arraes.Duração: 1h15. Sexta e sábado, às 21h30; domingo,às 18 horas. R$ 25,00. Sábado, às 19h30 com ingressos a R$ 3,00. Teatro Hilton. Avenida Ipiranga, 165, tel. 259-6508. Até 1/7.

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