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Guaratiba

Semana passada, descobri que Guaratiba me odeia. Guaratiba, para quem ainda não se localizou, é um bairro do Rio de Janeiro. Aquele onde seria realizada a missa do Papa e que, por causa das chuvas, virou a cidade cenográfica do Rambo.

Fábio Porchat, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2013 | 11h00

Então, aí estava eu viajando quando vi, pelo Twitter, o título de uma reportagem do F5 que dizia: "Manifestantes de Guaratiba protestam contra Eduardo Paes, Jô Soares e Fabio Porchat". Minha primeira reação foi rir. Parecia uma pegadinha. Por que raios manifestantes de Guaratiba, no meio de toda essa bagunça, resolveram se levantar contra mim?

Curiosíssimo, é óbvio, fui ler a matéria do site. Ela dizia que, no meio dos protestos em Guaratiba contra o prefeito do Rio, havia duas placas: "Cala a boca, Jô Soares" e "Cala a boca, Fábio Porchat".

Cada vez mais me sentindo em um episódio de Além da Imaginação, segui lendo para entender o que eu havia feito de tão mal contra Guaratiba. Os ofendidos, quando perguntados, não souberam dizer o por quê. Um deles disse que ouviu falar de alguém que leu nas redes sociais que eu tinha feito uma brincadeira com Guaratiba. O outro dizia que soube que, um dia, no programa Esquenta!, eu tinha feito uma piada.

E aqui estou eu, sem fazer a menor ideia do que eu falei de Guaratiba. Eu acho que, até então, eu nunca tinha nem pronunciado a palavra Guaratiba. Já fui, sim, a Guaratiba, já comi em Guaratiba, já filmei em Guaratiba, mas que eu tinha ferido Guaratiba em seu íntimo era novidade pra mim. Perguntei a várias pessoas e ninguém soube me explicar. Claro, se nem o audaz repórter do F5 conseguiu desvendar esse mistério... Fiquei com vontade de ligar pro Jô Soares pra saber dele se, por acaso, sabe o que Guaratiba sabe que nem eu sei!

Que tipo de piada eu poderia fazer com Guaratiba? Mesmo agora não me vem nada à cabeça. Queria uma luz. Faço aqui um apelo. Se alguém tiver algum parente, amigo, ou até mesmo um conhecido que me odeie, por conta de Guaratiba, claro, me mande um e-mail com o contato. Eu agora fiquei tão intrigado.

E eu não posso nem pedir desculpas a Guaratiba, não posso nem me retratar. Não posso vir a público e dizer: "Sim, eu errei ao ofender Guaratiba. e um bairro tão respeitoso como este não merecia um comentário tão infeliz da minha parte. Eu amo Guaratiba, sou um filho de Guaratiba, e que fique claro, desde este momento, que eu quero que minhas cinzas sejam jogadas em Guaratiba ajudando, inclusive, a aterrar o lamaçal".

Oh, Guaratiba, pronuncie-se! Há noites não durmo, há dias não saio da letargia e fico imaginando: que será que disse eu? E um detalhe: eu não participo do programa da Regina Casé há pelo menos seis meses. Quer dizer, a pessoa ficou, no mínimo, meio ano rancorosa guardando essa mágoa e esperando a primeira grande chance de gritar pro mundo: Cala a boca, Fábio Porchat!

Pensando bem, mesmo que eu não tenha falado nada de Guaratiba, gosto de pensar que alguém tirou do peito esse peso. Então, que não seja por Guaratiba, que seja por qualquer bobagem que eu tenha falado sobre qualquer assunto. Eu aceito teu pedido, Guaratiba. Eu calo a minha boca.

***

PS: Até o próximo domingo, claro.

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