Aline Arruda/Agência Foto
Aline Arruda/Agência Foto

Grupo tenta manter Festival de Paulínia

O cancelamento do evento foi anunciado na sexta pelo prefeito José Pavan Junior

FLAVIA GUERRA - O Estado de S.Paulo,

17 de abril de 2012 | 03h08

Uma frente formada por cineastas e produtores está elaborando um projeto alternativo para tentar viabilizar a realização do 5º Festival de Paulínia. O cancelamento do evento foi anunciado na sexta pelo prefeito José Pavan Junior, que declarou que a verba do festival será aplicada na área social.

A decisão gerou protestos e a mobilização da classe cinematográfica, além de uma carta da Associação Brasileira dos Críticos de Cinema e de um abaixo-assinado online. A frente pró-Paulínia 2012, que já conta com cerca de 200 membros, foi idealizada pelos produtores do festival e tem participação de entidades como a Associação dos Produtores de Cinema de Paulínia e de profissionais  como Ivan Melo, ex-diretor e atual consultor do evento, além de apoio de cineastas de todo o País. 

Na sexta, após reunião com os produtores locais, uma comissão decidiu elaborar uma carta de posicionamento em relação ao cancelamento do festival. O documento virá a público amanhã (quarta) e, entre outras considerações, propõe alternativas para que o festival ocorra este ano. 

"O que queremos é abrir o diálogo com o prefeito e mostrar o quanto o festival é importante não só para a cidade mas para todo o Brasil. Vamos propor alternativas para, juntos, encontrarmos uma maneira de realizar o festival. Vamos manter  a essência, a qualidade cinematográfica, mas talvez contando com a colaboração de todos para cortar gastos, recebendo talvez menos pessoas, alocando os convidados em hoteis mais em conta etc", explica Rafael Salazar, um dos porta-vozes da comissão.

"Não temos interesse político. Somos movidos pela paixão pelo cinema. Queremos valorizar o festival e o pólo. Há gente que, como eu, formou-se no pólo, começou do zero e hoje já tem dezenas de filmes no currículo. É uma oportunidade única. Hoje há mais de dez produtoras de cinema de Paulínia, além do Cineclube, que está sendo criado, e tantos outros profissionais", completou Salazar. 

Em um primeiro momento, o projeto de execução do evento utilizaria o aporte inicial de R$ 500mil (R$ 3 milhões a menos do que o alegado pela atual diretoria e R$ 9,5 milhões a menos do que o alegado pela prefeitura).  A quantia, que deve ser doada por uma empresa da região de Paulínia, deverá ser distribuída entre a premiação e a realização do evento. A priori, cerca de R$ 100mil devem ser utilizados para premiar o melhor longa-metragem e R$ 10 mil serão destinados para o melhor curta. O restante deverá ser aplicado na produção e infraestrutura. Verba adicional poderá vir a ser captada por meio de investimentos de outras empresas.

Com isso, a frente pró-Paulínia 2012 pretende manter a força do festival, que já figura entre os mais importantes do País e poderá ser retomado oficialmente em 2013 pela próxima gestão. “A classe cinematográfica e a população têm o papel de pressionar o prefeito Pavan, para que ele entenda a importância do festival”, declarou Tatiana Quintella, que já foi secretária de Cultura da cidade e idealizou o Polo Cultural e Cinematográfico de Paulínia.

Criado pelo ex-prefeito Edson Moura, que concorre à prefeitura este ano contra Pavan (que tenta a reeleição), o festival é o principal evento do polo cinematográfico também criado por Moura, e que já investiu na produção de 40 filmes.

Apesar do cancelamento do evento, Pavan garantiu que os investimentos do pólo se mantêm. O edital de longas e curtas, que deveria ser anual, ainda não foi anunciado, o que, segundo o prefeito, deve ocorrer em junho. A demora causou apreensão. “É algo que nos deixa de fato com receio. Mas Paulínia tem importância nacional e local. O que for preciso para que este festival não morra, vamos fazer”, declarou a produtora Vânia Catani. Está também programada uma reunião dos produtores locais com o prefeito para, entre outras reinvindicações, solicitar a cessão do Teatro Municipal de Paulínia durante os dias em que o festival ocorreria, de 21 a 28 de junho.

O ex-Secretário de Cultura da cidade, Emerson Alves, não quis conceder entrevistas nem comentar sua exoneração, anunciada no fim de semana. O novo secretário ainda não foi definido.

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