Grupo Tapa estréia amanhã "Contos de Sedução", de Guy Maupassant

Uma recatada mulher usa um artifício nada convencional para seduzir o próprio marido; outra fascinada pela vizinha prostituta resolve, só por brincadeira, imitá-la; outra ainda pede ao marido que a acompanhe a um local de encontros suspeitos, por ele freqüentado quando solteiro. Homens e mulheres realizando pequenas transgressões para tornar a vida - e o amor - mais excitante. Esses são alguns dos personagens interpretados por ZéCarlos Machado, Clara Carvalho, Brian Penido e Sandra Corveloni, sob direção de Eduardo Tolentino, no espetáculo Contos de Sedução, que estréia amanhã (06) no Teatro da Aliança Francesa. Quatro ótimos atores do grupo Tapa encarando alguns dos melhores tipos criados pelo escritor francês Guy de Maupassant (1850-1893). Escrita pelo norte-americano radicado no Brasil J.E. Amacker, autor ainda inédito, o espetáculo costura seis contos curtos do escritor francês e estréia amanhã para uma curtíssima temporada. Isso porque, em outubro, o grupo viaja para Portugal, onde excursiona por várias cidades, apresentando três peças de seu repertório: A Serpente, de Nélson Rodrigues, Corpo a Corpo, de Vianinha, e Navalha na Carne, de Plínio Marcos. Maupassant escreveu cerca de 300 contos, 5 romances e publicou ainda 3 livros de poesia. Boêmio, conquistador, fez muito sucesso com as mulheres, alcançou grande reconhecimento como escritor e morreu de sífilis, aos 43 anos. Entre seus admiradores estavam escritores do porte de Oscar Wilde, Chekhov e Henry James. E, claro, o dramaturgo agora lançado pelo Tapa, J.E. Amacker, que lutou muito para levar o universo de Maupassant ao palco. "Recebi a peça em 1994, pela Aliança Francesa, e achei muito interessante", diz Tolentino. "São contos adaptados, entremeados com fatos da vida de Maupassant, um homem que em dez anos escreveu muito, sempre com uma qualidade de observação fantástica sobre a vida." Todos os contos escolhidos por Amacker falam sobre sedução. "Sei que o público gosta de sexo e de rir, daí minha escolha", brinca Amacker. "Na verdade, se eu misturasse muitos temas ficaria uma salada russa; os critérios de escolha foram teatrais." Maupassant escreveu a maioria de seus contos nos dez últimos anos de vida, depois de ter contraído a doença que o mataria. Amacker inspirou-se nesse dado para criar uma espécie de pacto faustiano. Guy teria vendido sua alma em troca de sucesso. A peça flagra o escritor já doente e, em seus delírios, transforma enfermeiras, seu fiel criado François Tassart e até a si mesmo em personagens das histórias que imagina preso ao leito. "Os contos escolhidos por Amacker retratam o comportamento amoroso em seis classes sociais diferentes", diz Tolentino. Um deles, por exemplo, tem como cenário um tribunal de província perante o qual comparecem um casal de camponeses. "Uma viúva, para não perder a herança do marido, contratou um homem para engravidá-la e ele agora está cobrando em juízo", conta Tolentino. "Eles contam a falcatrua para o juiz e ela ainda explica o motivo de não ter pago o combinado." Já a mulher fascinada pela vizinha prostituta é uma baronesa. "Não sei quanto a escolha de Amacker tem de intuitiva e quanto tem de deliberação, mas esse apanhado de contos serve para mostrar a sedução nas diferentes classes sociais", afirma Tolentino. "Mostra como é pragmática entre os camponeses e quanto pode ser perversa na aristocracia." Apesar da presença em cena do personagem/autor à beira da morte, o tom geral do espetáculo é de comédia. "Maupassant era um frasista genial e diz barbaridades sobre homens e mulheres", afirma Tolentino. Quem estiver interessado em ouvir essas frases deve aproveitar este mês já que, em outubro, o Tapa estará em Portugal. "Vamos participar de um programa da Cena Lusófona", explica o diretor. "Recusamos outros convites, mas, desta vez, temos produções de bolso no repertório, o que facilita a viagem e, ao mesmo tempo, são textos de autores significativos na dramaturgia brasileira", diz. "Acho importante levá-los a Portugal." Serviço - Contos de Sedução. Comédia. De J.E. Amacker. Direção Eduardo Tolentino de Araújo. Duração: 90 minutos. De quinta a sábado, às 21 horas; domingo, às 18 horas. R$ 10,00 (quinta); R$ 15,00 (sexta e domingo) e R$ 20,00 (sábado). Teatro Aliança Francesa. Rua General Jardim, 182, tel. 259-0086. Até 30/9

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.