Grupo Tapa estréia amanhã a peça 'A Moratória' em SP

Maria Della Costa é convidada de honra na estréia, amanhã à noite, de A Moratória, espetáculo dirigido por Eduardo Tolentino, com o Grupo Tapa. Afinal, essa atriz, junto com seu marido Sandro Polônio, foi quem trouxe o italiano Gianni Ratto ao Brasil em 1954, o diretor da primeira e memorável montagem dessa peça de Jorge Andrade (1922-1984). "O texto intercalava dois tempos, era genial para a época, tinha assunto brasileiro e veio ao encontro de um desejo da companhia - a valorização da dramaturgia nacional", lembra Maria Della Costa. A ação de A Moratória se concentra em três anos, entre 1929 e 1932, e retrata a crise da aristocracia cafeeira, que perde seus bens e poder após a quebra da bolsa de valores de Nova York, num Brasil que vive o início do processo de industrialização. Para tratar esse tema, o autor cria ações simultâneas em dois tempos e espaços: na fazenda, quando essa ainda é propriedade do patriarca Joaquim, interpretado por Zecarlos de Andrade, e na cidade, numa casa modesta, para onde a família mudou-se e vive à custa da filha Lucília (Larissa Prado). Comovente na temática, pela abordagem da História em seu aspecto humano, e moderna na forma, a peça conquistou a crítica. "Foi um acontecimento absoluto. Saudado como perfeito, o espetáculo unia direção extraordinária de Ratto e dramaturgia de grande força", diz Fernanda Montenegro ao recordar a montagem na qual fazia o papel de Lucília, moça que sustenta a família debruçada sobre a ''máquina'' de costura. "Bom que o Tapa, grupo de reconhecido rigor artístico, encene novamente esse texto. É o nosso Jardim das Cerejeiras. Tem algo de Chekhov na forma como esse autor olha o ''demorado adeus'' dessas pessoas sobre um tempo que chega ao fim." Dois tempos simultâneos? Impossível não pensar em Vestido de Noiva. "É influência assumida. Foi Décio de Almeida Prado quem recomendou a Jorge Andrade que lesse a peça de Nelson Rodrigues como inspiração de solução para os tempos diferentes", diz Tolentino. Curiosamente, o Tapa realizou uma montagem de Vestido de Noiva na qual quebrou os três planos da famosa encenação de Ziembinski. Agora, faz o mesmo com A Moratória. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo A Moratória. Teatro Sesc Anchieta. Rua Dr. Vila Nova, 245, São Paulo. Telefone (011) 3234-3000. Sexta e sábado, 21 h; domingo, 19 h. 90 min. R$ 20. Estréia amanhã.

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