Grupo premiado encena Plínio Marcos

Com nada menos que 50 prêmios nocurrículo e 20 anos existência, o Grupo Luz e Ribalta, dirigidopor Antônio de Andrade, leva à cena Homens de Papel, dePlínio Marcos. Com 14 atores no elenco, sob direção de Andrade,a montagem estréia nesta sexta-feira no Teatro RuthEscobar. "Plínio criou uma obra-prima ao retratar num texto dediálogos primorosos uma realidade brutal, sem em nenhum momentoperder sua veia poética", afirma o diretor. Os personagens são moradores de rua que vivem de catar evender papel. "Se fosse escrita hoje, eles venderiam latas derefrigerantes", observa Andrade que não atualizou asreferências da década de 60. Afinal, como dizia o autor,"infelizmente minhas peças permanecem atuais, porque a misériano Brasil não muda". Desta vez não são marginais, como emBarrela, nem trabalhadores, como em Quando asMáquinas Param, dois outros textos do autor santista, mas simpessoas que se equilibram a duras penas entre essas duascategorias. "São trabalhadores, mas numa situação frágil.Entrevistamos moradores de rua e a frase de um deles - ´meumaior medo é cair no abismo´ - sintetiza essa sensação de estarno fio da navalha entre o trabalho e a marginalidade." E é justamente dessa fragilidade que o personagem Berrão(Kalil Jabour) tira proveito para exercer seu poder. Com umabalança armada debaixo do viaduto, ele compra papel por um preçoaviltante. Armado com um revólver (um berro, daí o seu apelido),ameaça fisicamente os homens e abusa sexualmente das mulheres.Mas num mundo brutal, Berrão sabe que pode cair ao menor vacilo.Um dos que tentam derrubá-lo é Chicão (Nívio Diegues), opersonagem mais articulado. Há ainda Tião (Décio Pinto), queexerce liderança por ser o mais antigo no local, e a prostitutaMaria Vai, papel interpretado por Silvia Pompeo, filha deRuthnéia de Moraes, atriz que atuou nesse mesmo papel naprimeira montagem. O equilíbrio entre o grupo será quebrado com a chegadade uma família do interior, mãe, pai e filha deficiente, quepassam a competir pela venda do papel.Homens de Papel - Teatro Ruth Escobar, sala Dina Sfat: Rua dos Ingleses, 209. Tel: 289-2358. Até 31 de março. Sexta e sábado, às 21h. Domingo, às 19h. R$ 20,00.

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