Grupo Luna Lunera estreia espetáculo 'Prazer' em SP

É preciso coragem para se buscar alegria. Coragem para não se cansar dos dias. Para seguir. Sem ceder à tentação de se enclausurar por temor da dor e das perdas. Em "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres", Clarice Lispector investigava o percurso da professora primária Lóri e seu encontro determinante com Ulisses. O homem que iria ensiná-la a aceitar o amor, a descobrir que é preciso viver apesar de. "Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer", lhe diz Ulisses. "Inclusive, muitas vezes, é o próprio ''apesar de'' que nos empurra para frente."

AE, Agência Estado

30 de novembro de 2012 | 10h45

O romance de Clarice e especificamente esse trecho serviram como impulso para a criação de "Prazer", espetáculo que a cia. Luna Lunera apresenta a partir de sábado no CCBB. Na peça, eles substituem o enlace amoroso pelo reencontro de quatro amigos, reunidos depois de um longo tempo separados. "Surgiu o desejo de aprofundar na obra da Clarice. Não para adaptá-la, mas para usá-la como uma fonte de alimento. Para que cada um de nós encontrasse ali qual é o fragmento que mais o mobiliza", comenta Isabela Paes, atriz e uma das diretoras da montagem.

Assim como fizeram em sua mais conhecida criação, a premiada peça "Aqueles Dois", os integrantes do grupo voltam a assumir coletivamente a responsabilidade pela direção. Os intérpretes revezaram-se na função em diferentes momentos. Também conjunto foi o esforço para alinhavar a dramaturgia.

O que difere "Prazer" é a maneira como esse sistema de criação colaborativa foi aprofundado. A Luna Lunera não apenas reforçou sua convicção de que o ator é autor e dono da cena. Mas também resolveu se aproximar de profissionais de fora da companhia.

Trabalharam com artistas como o dramaturgo Jô Bilac. Estiveram ainda na Dinamarca, fazendo uma residência com o Odin Teatret, a renomada companhia do diretor italiano Eugenio Barba. "Queríamos gente que tirasse o nosso tapete, no melhor dos sentidos, e ressignificasse a nossa forma de criar", aponta o ator Odilon Esteves.

Determinante também parece ter sido o encontro com o coreógrafo Mário Nascimento. Possibilidade de descobrir um novo tratamento para o corpo. "Ele alterou o jogo que se estabelecia entre nós desde o início da cia.", aponta Marcelo Souza e Silva. A questão física, afinal, ocupou lugar proeminente nos cinco títulos anteriores do grupo e transparecia em seus pendores pelo teatro-dança e pela técnica do contato improvisação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

PRAZER

CCBB - Teatro (Rua Álvares Penteado, 112, metrô Sé). Tel. (011) 3113-3652. 6ª, 20 h; sáb., 17 h e 20 h; dom., 19 h. R$ 6. Até 16/12.

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