Filipe Araujo/AE
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Grupo invade Bienal de SP, ataca e picha obra

Nuno Ramos s se disse chocado com vandalismo em sua obra ‘Bandeira Branca’; casal de suspeitos foi detido pela PM e o evento reabre hoje

Camila Molina e Márcio Pinho, de O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 19h32

SÃO PAULO -  Não bastassem as obras polêmicas, um tumulto marcou neste sábado, 25, a abertura da 29.ª Bienal, no Parque do Ibirapuera, e provocou seu fechamento pouco antes do horário previsto. Por volta das 18h20, um grupo de 30 pichadores invadiu a instalação Bandeira Branca, de Nuno Ramos, e pichou a frase "liberte os urubu (sic)". Houve confronto entre os seguranças e os manifestantes.    

 

Um rapaz cortou com estilete a rede que protegia o trabalho do artista e com spray branco escreveu a inscrição em uma das grandes esculturas negras da instalação. A inscrição faz menção direta às três aves que compõem a obra.

 

O ocorrido causou tumulto no pavilhão, com cenas de agressão protagonizadas tanto pelo corpo de seguranças da mostra quanto de pessoas que estavam no local. A polícia chegou e em meio a protestos, gritos e apitos, levou um casal preso para o 36.º DP. De lá, os dois suspeitos de pichar a instalação iriam para o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania, no centro da cidade.

 

Apesar do episódio, o produtor da Bienal, Emilio Kalil, afirmou que a exposição será aberta normalmente hoje. "Informei o Nuno Ramos e ele vai decidir se mantém ou remove os dizeres", disse Kalil. "Será uma queixa crime e o setor jurídico (da Bienal) vai tomar as providências. Foi vandalismo", afirmou ainda o produtor.

 

A Fundação Bienal de São Paulo ainda não fez nenhum comunicado oficial sobre o fato. A instituição remendou a rede que protege a obra de Nuno Ramos. A visitação de ontem estava marcada para ser encerrada às 19 horas. Aos poucos, o público foi sendo retirado do prédio.

 

Protesto

 

Segundo os manifestantes, o protesto ocorreu por causa da seção "Pichação", que reúne vídeos e fotos de pichadores e seus trabalhos. Para eles, a Bienal teria de mostrar pichações de fato, e não imagens delas. Os manifestantes não explicaram por que escolheram a obra de Nuno Ramos para fazer o protesto. Sua instalação já havia causado polêmica por causa da presença dos três urubus dentro da cerca que envolve a obra.

 

Ambientalistas e representantes de associações protetoras de animais pediram a retirada da obra alegando que as aves estavam sendo maltratadas, mas a direção da Bienal negou as acusações e manteve a instalação. "Estou chocado e profundamente triste", disse, hoje, Nuno Ramos. "Há muito tempo não via algo assim."

 

O casal preso negou que tenha pichado a obra, mas não quis dar maiores detalhes. O rapaz apenas entregou um cartão à reportagem onde está escrito "Rafael Pixobomb".

 

Foto: Filipe Araujo/AE

 

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