Grupo Galpão festeja 30 anos com montagens em SP

Maturidade não tem a ver com quietude, segurança ou aversão ao risco. Não no vocabulário do Galpão. O grupo mineiro chega à cidade para comemorar seus 30 anos. E traz na bagagem espetáculos que denotam um ímpeto, quase juvenil, por mudança. Por descobertas. Há duas montagens feitas para o palco e outras duas para a rua. "Romeu e Julieta", mítica criação da companhia, abre nesta quinta-feira a programação comemorativa. Na sequência, serão apresentados "Till, A Saga de Um Herói Torto", "Tio Vânia" (Aos Que Vierem Depois de Nós) e "Eclipse".

AE, Agência Estado

26 Julho 2012 | 10h27

"Estamos sempre em busca daquilo que a gente considera deficiente no nosso teatro ou que a gente não domine tanto", diz o ator Eduardo Moreira. "A nossa própria forma de organização, um grupo de atores que convida diferentes diretores, é uma tentativa de fazer desse percurso um experimento."

Na lista de encenadores que cruzaram o caminho do Galpão nas últimas três décadas, Gabriel Villela certamente figura entre os mais frequentes. "É um grupo que trabalha com contrastes, com uma radicalidade de linguagem", aponta. Além de "Romeu e Julieta" (1992), Villela esteve à frente de "A Rua da Amargura" (1994) e agora retoma a parceria com "Os Gigantes da Montanha", peça de Luigi Pirandello que ainda não tem data de estreia marcada.

Na recente encenação de "Tio Vânia", Yara de Novaes conduziu o grupo pelo inexplorado território dos dramas de dimensão psicológica. A intenção era aprofundar-se no trabalho do ator, mergulhar de maneira mais vertical nas relações com as personagens. Dessa maneira, a trama de Chekhov - a história de um amargurado homem de meia-idade - tornou-se quase um espelho para que o grupo mirasse suas próprias inquietações. "A peça fala dessa relação dos homens com o tempo, esse momento de rever o que fizeram. Agora, é como se o próprio Galpão fizesse um balanço", diz a diretora. "O que nos move é a vontade de fazer um Chekhov que soe como algo próximo, particular. É fácil entender a carga de pessoalidade que impregna a montagem se observado o momento que vive hoje o Galpão."

Foi ainda a vontade de se reinventar que levou a trupe ao encontro de encenadores com métodos praticamente antagônicos de trabalho, caso do russo Jurij Alschitz. "O Galpão me procurou em busca de um novo jeito de atuar. Foi uma briga entre dois teatros muito diferentes", observa o diretor. "Queria fazer algo que o aparato físico deles não estivesse preparado para suportar. Deixá-los nus, inseguros." Do encontro surgiu "Eclipse", mais recente produção do coletivo mineiro. Ainda inédita em São Paulo, a peça recusa o psicologismo comumente associado a Chekhov e observa o autor pelo prisma do construtivismo russo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

ROMEU E JULIETA

Parque da Juventude (Avenida Cruzeiro do Sul, 2.630, metrô Carandiru). Telefone (011) 2251-2706. Dom., 16 h. Grátis. Até 14/10.

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