Grupo executa reforma

De 1940 e fechado há cinco anos, o Teatro Serrador, no centro do Rio, palco de estreias de Nelson Rodrigues, teve a reformulação paga pelo Fundo de Apoio ao Teatro (Fate) municipal e executada pelo grupo Alfândega 88 com as próprias mãos. A equipe de treze pessoas carregou entulho, trocou nove quilômetros de fios de luz, criou nova cabine, refez a pintura e consertou cadeiras originais e refletores.

O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2012 | 03h06

Os R$ 800 mil do Fate eram para a manutenção da companhia, que decidiu investir tudo ali. Os R$ 25 mil de aluguel pagos à proprietária, Brigitte Blair, saíram do salário do grupo, que gastou R$ 100 mil de economias próprias. A programação varia - de sucessos como A Alma Imoral, com Clarice Niskier, a experimentações. "Uma metrópole como o Rio precisava desse teatro aberto. As verbas para montagens vêm crescendo, mas é preciso ter palco para montar. Aqui, pensamos no que é relevante para a sociedade, não somos empresários. É um trabalho feliz", diz o ator Fernando Lopes.

Enquanto isso, ainda é chorada a perda de teatros como o Galeria, no Flamengo, o Delfim, na Humaitá, o Posto Seis, em Copacabana. Também no bairro, o Villa-Lobos, do Estado, que pegou fogo há dez meses, está em obras e só reabre em 2014.

O que faz do Tereza Rachel, já alugado para uma igreja evangélica e hoje com o nome da Net Rio, o maior teatro em funcionamento na densa Copacabana. A iniciativa foi do jovem produtor Frederico Reder, que negociou um ano e meio com a atriz Tereza Rachel, a dona, e só depois foi atrás do patrocínio da Net. "Era uma tristeza ver esse templo fechado. Muita gente tentou antes de mim. A reabertura de vários teatros não é coincidência. Estão entendendo que o nosso negócio dá dinheiro", ele acredita. Em abril, para reabrir o Terezão, casa da célebre montagem de Gota D'Água, de 1975, foi chamada a mesma Bibi Ferreira.

A frequência - sempre acima dos 70% - vem mostrando que o anseio do público era o mesmo de Reder. E a indicação ao Prêmio Shell da revitalização do Terezão e do Serrador é um sinal de que esses esforços não estão passando despercebidos. / R.P.

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