Grupo elege representante da dança para o Conselho da Cidade

Nome de Daniel Kairoz foi indicado em repúdio à escolha, em março, da coreógrafa carioca Deborah Colker

HELENA KATZ, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2013 | 02h16

O movimento A Dança se Move reuniu cerca de 180 profissionais ontem, na Galeria Olido, para eleger o seu representante no Conselho da Cidade. Fruto do repúdio à indicação de uma coreógrafa do Rio de Janeiro, Deborah Colker, para representá-los, a classe de dança comemorou a conquista de uma cadeira nesse Conselho, aberta pelo prefeito Fernando Haddad.

Foram três candidatos: Sandro Borelli, presidente da Cooperativa Paulista de Dança, Sofia Cavalcante, do Mobilização Dança, e Daniel Kairoz, artista. O eleito foi Kairoz. Pouco antes, Borelli, declarou, em entrevista por telefone: "A coisa começou errada e até agora nem o Prefeito nem o Secretário Municipal da Cultura se dirigiram a nós. Recebemos somente um recado, através de um de nossos membros, que é também militante do PT", diz ele. "Se eleito, vou ter constrangimento de estar nesse conselho, composto por tão poucos trabalhadores. Estou pessimista com o seu perfil, mesmo consciente de que historicamente a conquista dessa cadeira foi um marco para a dança."

Essa vitória se deve ao amadurecimento político da classe. A própria história do movimento A Dança se Move indica isso. Ele nasceu de uma convergência, situação pouco habitual entre instituições deste tipo: a Cooperativa Paulista de Dança e o Mobilização Dança. Cada qual permanece trabalhando nos seus segmentos específicos, mas os três, ligados em uma frente única de reivindicações, expandem a sua atuação dividindo-se em grupos de trabalho. Exemplo: o movimento decidiu boicotar a última renovação do Colegiado Setorial de Dança do Ministério da Cultura. Marcos Moraes, do A Dança se Move, explica: "As conversas se tornaram inócuas, pois das prioridades elencadas através de anos de trabalho voluntário de muitos profissionais no Brasil todo, praticamente nada ocorreu e, ao contrário, têm havido retrocessos".

Caberá ao novo representante no Conselho da Cidade lutar para se articular com os demais representantes, "incluindo a dança de forma transversal nas propostas relativas às prioridades da cidade e defendendo a valorização dos artistas", finaliza Marcos Moraes.

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