Grupo do interior completa 10 anos de dança

Um fato duplamente auspicioso: o Grupo Gestus, de Araraquara, comemora seu décimo aniversário com o espetáculo Fuxico, que marca também o primeiro ciclo de atividades do recém-inaugurado Sesc Sorocaba, onde se apresenta até amanhã. Fundado e dirigido por Gilsamara Moura, o Gestus, ao completar a primeira década, celebra junto o feito de ter conseguido fazer de cada conquista um estímulo para sua transformação. Fuxico recupera um tipo de costura que caiu em desuso e inspira esta montagem. "As cenas são como fibras, linhas e nós, são trançadas, costuradas, outras vezes alinhavadas para se produzir um tecido de tramas coloridas que ocupam o palco do presente e da memória, tornando-se possível apresentar o que hoje entendemos por dança contemporânea", descreve Gilsamara Moura no texto de apresentação. Sob sua direção e concepção, Fuxico tem iluminação de Marco dos Anjos, figurinos e cenários realizados pelo próprio grupo e design dos bailarinos Alberto Fernandes, Tadeu Queiroz e Weber Fonseca, além de Rita Leite. Com 18 bailarinos no elenco, o grupo dedicou seus últimos anos ao projeto Perfil Transitório, onde explorou o universo de Macunaíma, de Mario de Andrade. Nele, Gilsamara Moura dedicou-se a experimentar formas de tradução da literatura para a dança nas diferentes versões que foi elaborando com o seu grupo e que, desde 1998, fazem parte dos circuitos Sesc de Dança. O final desse processo ocorreu no seu solo Ursa Maior, mostrado em outubro, no Sesc Anchieta. Graduada em Letras pela Unesp de Araraquara, escreve semanalmente no jornal Tribuna Impressa. Desenvolvendo atividades como atriz desde 1990 (Narciso, Um Resto Vago de Luar, A Noiva do Condutor, O Casamento no Teatro: Sarau do Pequeno Burguês, Antares, O Baile, etc.), Gilsamara Moura iniciou sua formação em dança com Eduardo Sucena, Edith Pudelko, Kinkas Neto e Idovar Stahl, e complementou-a com Liliane Benevento, Ivonice Satie e em inúmeros workshops. Num dos mais recentes, durante o FID 2000, em Belo Horizonte, em julho, recebeu um convite de Lynda Gaudreau para fazer aulas com a sua companhia, em Montreal. Mas talvez a marca mais determinante nesse percurso tenha sido o seu encontro com a técnica de Merce Cunningham, por meio do Projeto Cunningham desenvolvido por Gícia Amorim e Bergson Queiroz. Num país sem política cultural, todos sabem o que significa tentar manter a continuidade de um trabalho que faça do processo de descoberta da dramaturgia do gesto o seu material de criação. Quando ele ocorre fora das capitais mais afeitas ao mercado das artes, as dificuldades são ainda maiores.

Agencia Estado,

21 de dezembro de 2000 | 09h36

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