Grupo Diavolo une dança e acrobacias em crítica social

Companhia norte-americana, que se apresenta pela 1.ª vez no País, usa como base obras de arte gigantescas

Patrícia Villalba, de O Estado de S. Paulo,

15 de maio de 2008 | 17h53

Entre o susto e a crítica social, a companhia norte-americana Diavolo Dance Theatre leva sua parafernália de quatro toneladas ao palco do Via Funchal nesta sexta-feira, 16, pela primeira vez no Brasil. Veja também:Confira trechos do espetáculo do Diavolo Dance   Bailarinos, acrobatas e alpinistas se revezam em coreografias que usam como base obras de arte gigantescas. As relações humanas são o contexto para as diabruras do grupo - daí, "diavolo". Corpos humanos e construções. Eles sempre fascinaram o coreógrafo francês Jacques Heim, diretor artístico e fundador do grupo. "É como a construção pode manipular os corpos humanos e, ao mesmo tempo, como o corpo humano pode manipular a construção. Eu gosto da idéia de que as pessoas são todas iguais, e o que muda de pessoa para pessoa é a sua cultura e sua relação com o meio em que vive", explica Heim, em entrevista ao Estado. Heim diz que quando o corpo humano se transforma numa extensão das estruturas que estão no palco, os bailarinos se tornam parte da arquitetura, e o público pode dar-se conta do quão frágil e vulnerável os humanos são em relação às construções das grandes cidades. Entre as 4 toneladas de equipamentos que o grupo traz ao País, está, por exemplo, um galeão de 4 metros de largura, 1,5 metro de altura e 3,5 metros de profundidade. Uma parede de 3 metros de altura por 3 metros de largura forma o cenário de D2R-A, criada em 1995, uma crítica à guerra. As peças usadas nas coreografias têm de ser sólidas, para agüentar o peso e o movimento dos dez bailarinos. Esse equipamento todo é mais do que objeto de cena para o grupo. Segundo Heim, ele é a primeira coisa a ser desenhada na concepção de um espetáculo do Diavolo. "Assim, os bailarinos improvisam nas novas estruturas, num período de três semanas, aproximadamente. Dessa improvisação, saem frases e movimentos individuais, e eu monto a coreografia a partir deles, como um quebra-cabeça", detalha o coreógrafo. Criador da companhia em 1992, Heim conta que costuma selecionar seus bailarinos em escolas das mais variadas formações, desde dança moderna até artes marciais, passando por capoeira e balé. Ele anota que todos os movimentos radicais mostrados no palco são calculados, para diminuir riscos. "Mas mesmo assim, para ser bailarino no Diavolo você não pode ter medo de altura, trombadas, contusões e sangue", avisa ele.

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