Grupo Corpo apresenta repertório em SP

O Grupo Corpo volta a São Paulo, no Teatro Alfa, para apresentar Bach e O Corpo. A proposta dessa temporada é mostrar ao público o repertório da companhia. "Geralmente, apresentamos as estréias, resolvemos, desta vez, exibir obras prontas, que sempre levamos ao exterior e os brasileiros acabam não vendo e, muitas vezes, nem sequer conhecem", explica o coreógrafo Rodrigo Pederneiras. Essa política de colocar no palco o repertório auxilia na formação de platéia. Mais que isso, o grupo ajuda na educação do público que amplia o seu conhecimento e passa a aprender mais sobre as obras e a história da companhia.Bach é uma coreografia que nasceu em 1996 a partir de uma pesquisa minuciosa de Marco Antônio Guimarães, do Uakti, e das composições de Joseph Sebastian Bach. Guimarães passou um ano pesquisando o universo barroco e a partir dessa investigação misturou ritmos, alterou timbres e utilizou diferentes instrumentos musicais para criar novos sons. Para acompanhar a sofisticada música, Nicolau e Sandro Assunção, do Coral do Palácio das Artes de Belo Horizonte, cantam as árias e cantatas.O barroco mineiro marca presença nos tons de azul e dourado, inspirados em Aleijadinho. O espaço cênico é divido em dois: um plano aéreo e um terreno. Fernando Velloso assina a cenografia e dá o clima ao espetáculo com tubos metálicos e obras futuristas nas quais bailarinos são elevados e descem. No fundo do palco duas camadas de tecido. Em um determinado momento da peça, um pano azul de retalhos e patchwork - uma alusão aos tapetes populares - entra em cena. O figurino é de Freusa Zechmeister.Essa coreografia foi produzida e estreou na época em que o Grupo Corpo era companhia residente na Maison de la Danse em Lyon, na França. Lugar que eles ocuparam durante três anos consecutivos. "Escolhemos Bach, primeiro porque há alguns anos que não dançamos no País e, em segundo lugar, porque ela é um contraponto a O Corpo: pela questão do tempo - O Corpo estreou no ano passado - e por Bach ser uma coreografia praticamente aérea", afirma Pederneiras.Antunes também congregou tribos urbanas, elementos do hip hop e até mesmo do samba. A poesia é a chave para entender o vocabulário coreográfico, que se comparado com Bach é mais intenso, com movimentos fortes e menos sensuais. A palavra pode ser analisada na coreografia.O cenário produzido por Paulo Pederneiras e Fernando Velloso é um jogo de luz vermelha, que cria efeitos visuais que lembram sangue. O figurino todo preto produzido por Freusa, assume um tom de gangue urbana.A música, em todas as coreografias do Grupo Corpo, retrata um pouco do Brasil. O folclore, passando pelo regionalismo ao caos urbano e tantas outras peculiaridades do País, também está no palco, no corpo dos bailarinos. Ao assistir a um espetáculo, cada brasileiro se reconhece nas peças."Há dez anos convidamos músicos para comporem especialmente para o grupo, na maioria das vezes foram brasileiros, com exceção de Philip Glass, e os trabalhos saíram de um jeito bem nacional, com um perfil próprio. Desenvolvemos um jeito nosso e bem peculiar de dançar. A maneira própria daqueles que estão abaixo da linha do Equador", diz Pederneiras.Essa "maneira" de fazer dança há 26 anos, a questão da brasilidade, além do destaque internacional e reconhecimento do público são aspectos que estão presentes em um livro. No sábado, o Museu da Casa Brasileira (Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.705) abre suas portas para o lançamento de Oito ou Nove Ensaios sobre o Grupo Corpo (Cosac & Naif, 208 págs., R$ 35) com apresentação da ex-bailarina do grupo, Inês Borgea, e textos de Eliana Robert de Moraes, Arthur Nestrovski, Renato Janine Ribeiro entre outros. As fotos são de José Luiz Pederneiras.Patrocínio - "É uma idéia interessante, porque são pessoas diferentes, por conseqüência observando por diferentes ângulos aquilo que produzimos. Acho que é uma experiência enriquecedora", observa. O livro pôde ser concebido por causa do patrocínio da Petrobras, exclusivo por três anos.Na terça-feira, um novo projeto será aberto: 4.º Prêmio Usiminas Arquitetura em Aço. Um concurso para desenvolver o projeto do Centro de Arte do Grupo Corpo. O arquiteto vencedor receberá um prêmio de R$ 17 mil. Mais informações no site www.usiminas.com.br.Grupo Corpo. Quinta a sábado e segunda, às 21 horas; domingo, às 18 horas. De R$ 40,00 a R$ 60,00 - ingressos também na Fnac (tel. 3099-0022), Alpha Ingressos (tel. 220-5937), Show Tickets Iguatemi (tel. 3031-2098), Diners Club Cultural Serviço (tel. 0800-784440). Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel. 5693-4000 ou 0800-558191. Até 20/8. Patrocínio: Petrobras.

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