Groisman aconselha a galera a ver menos TV

Marcado pela maldição da rotatividade de horário, Sérgio Groisman completa três anos na madrugada da Globo e anuncia o lançamento de um DVD com 20 dos melhores encontros musicais que promoveu no Altas Horas. Mesmo fazendo um show na noite em que os jovens dedicam às baladas, Serginho não se queixa, lidera na audiência do horário. Mas lamenta: "A verdade é que a maioria dos brasileiros tem a televisão como a única opção de lazer".Estado - As noites de sábado não são reservadas para baladas?Sérgio Groisman - Tenho reparado que estamos atingindo um público diversificado que engloba jovens e adultos. Estou impressionado com a quantidade de pessoas que assistem à TV na noite de sábado. A verdade é que a maioria dos brasileiros tem a televisão como a única opção de lazer. No momento que o Altas Horas é exibido 50% das TVs estão ligadas.A maldição da rotatividade de horário persegue você desde o SBT. Isso atrapalha seu desempenho no ibope?Já começamos à meia-noite e meia e houve vezes que entrei no ar às duas da manhã, ainda não consegui um horário fixo. Mesmo assim, nestes três anos de programa só perdemos a liderança duas vezes, para filmes do SBT. Ir ao ar tarde da noite tem algumas vantagens. A maior é a liberdade, porque é um programa descompromissado com a audiência.Você é imediatamente identificado como apresentador de programa jovem, isso não é uma limitação?Minha platéia é formada por jovens, mas trato de assuntos adultos. A procura dos jovens para participar do programa é grande. Eles organizam caravanas e vêm de todo o Brasil. Na última semana vieram jovens do Paraná e do Mato Grosso do Sul.Qual é a resposta do seu público?Recebemos um número enorme de e-mails. Do Japão, Portugal, Argentina, Moçambique. Dizem que gostam de ver um programa que trata o jovem com respeito.Qual é a maior contribuição do "Altas Horas"?É levar ao ar encontros inusitados, por exemplo. Já reunimos Cássia Eller e Elza Soares, Lobão e Jair Rodrigues, Los Hermanos e Belchior, Miúcha e Marília Gabriela, colocamos a Alcione para tocar com o Léo Gandelman e o Jairzinho para cantar com dona Ivone Lara. Mas a melhor contribuição é apresentar o desconhecido, de qualidade, para os jovens. Instrumentistas como Egberto Gismonti, Sivuca, Naná Vasconcelos. Em outubro, vou lançar um DVD com vinte desses encontros. O que nos diferencia dos outros programas de auditório, sem querer ser pretensioso, é justamente a busca da qualidade. E olha que enfrentamos a sacanagem do Cine Privé (Band) e os filmes da sessão Belas Artes (SBT).Como você avalia o jovem de hoje?As fontes de informação da sociedade brasileira são poucas. O jovem não tem muitas opções para desenvolver um espírito crítico a respeito da TV. Quando dou palestras sempre aconselho o pessoal a assistir menos à televisão, a ler mais jornal, ir ao teatro, cinema. De maneira geral, o brasileiro vê mais TV do que deveria.O que você classifica como antiético na TV?A exploração da miséria da condição humana, as doenças, os dramas particulares.

Agencia Estado,

29 de maio de 2003 | 11h13

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.