Grifes italianas tomam conta dos Jardins

Eles são tutti buona gente e - com seu jeitinho refinado de viver - começam a dominar o quadrilátero do luxo nos Jardins. O primeiro a chegar foi Versace. Depois vieram Armani, Gai Mattiolo, Mariella Burani, Max Mara e, no ano passado, a Diesel. Agora, quem prepara o desembarque por ali é a grife de jeanswear Miss Sixty. A Ferragamo também anunciou a abertura de sua loja para amanhã, mas optou por outro reduto de bem-nascidos: o Shopping Iguatemi - onde a Diesel inaugura em outubro sua segunda loja própria no País. A paixão dos italianos pelos consumidores brasileiros é recíproca. O desempenho comercial do ´made in Italy´ por aqui basta como prova. A Diesel, aberta em novembro de 2001, fechou o ano com o terceiro faturamento mundial da rede de 206 lojas, atrás apenas de Nova York e Tóquio. Como? A loja vendeu, em pouco menos de um mês, 6 mil peças, ao preço de R$ 600, R$ 700 cada jeans. "Isso nos levou a investir em um ponto-de-venda no Iguatemi e outro em Ipanema, no Rio", confirma Ésber Hajli, responsável pela marca no Brasil. A chegada da Miss Sixty, que vai abrir as portas na frente da loja da Diesel, não incomoda Hajli. "Somos uma marca de índigo premium, todos os produtos são importados, e nossos concorrentes são a D&G e a Replay. A Miss Sixty vai fabricar no Brasil e concorrer com as grifes de jeans nacionais", avalia o empresário. Se alguém tiver de perder o sono com a chegada da grife, certamente serão os empresários de jeanswear brasileiros - que já andam sendo alvejados por saraivadas de boatos dando conta de que os negócios não vão nada bem. Entre as maiores grifes do mundo - A Miss Sixty promete a abertura de sua loja na Oscar Freire para 15 de novembro - e desembarca disposta a abrir sete outros pontos até 2005. Segundo informou Vicenzo Depau, diretor do grupo Sixty para a América do Sul, 60% dos jeans serão fabricados no Brasil. Na matéria-prima, nenhuma mudança, uma vez que a Santista é quem fornece índigo para as calças feitas na Itália. E a modelagem virá da matriz. O preço vai bater de frente com os cobrados pela Forum, Ellus, Iódice, Zoomp ou M.Officer. Uma calça da Miss Sixty ficará na faixa de R$ 200. Além das lojas próprias, a grife vem disposta a conquistar multimarcas em todo o País, começando pelo interior do Estado. Já na Diesel, a distribuição é seletiva. "Temos 30 clientes multimarcas, como Daslu e NK Store, em São Paulo, Lab, Limits e Tidsy, no Rio, entre outras", diz Hajli. A Diesel foi a primeira marca de jeanswear a figurar em uma lista das grifes de luxo mais importantes do mundo. Em uma pesquisa realizada pela revista norte-americana Forbes, a grife ficou em quinto lugar no segmento de moda, na cola de ícones como Chanel e Louis Vuitton. "Nós criamos uma categoria, a marca de luxo de jeans", constata Hajli, orgulhoso. Faturando alto - Dados da Câmara Italiana de Comércio revelam que hoje cerca de 70% das exportações italianas referem-se, exatamente, a artigos de luxo. Donos de uma qualidade estética indiscutível ? lá, até o macarrão possui design ?, os italianos registram ótimo desempenho em mercados já conquistados, como o brasileiro. É o caso dos representes da primeira geração do ?made in Italy?, como Versace e Armani. ?O reinado da França no mercado de luxo durou muitos anos, mas a Itália deu um baile nos franceses?, acredita Fernanda Boghosian Rossi, dona da loja Versace brasileira. ?Quando a gente abriu, há seis anos, a Bela Cintra era uma rua ?micada?. Nós ajudamos a reverter isso e acho que quanto mais marcas bacanas vierem para a região, melhor.? Para Patrícia Gaia, diretora-geral da Armani no Brasil, a forma de atuação dos italianos é o que garante o sucesso do produto ?made in Italy?. ?Eles não fizeram como os franceses, que foram para a alta-costura e ficaram naquilo, e para sobreviver precisaram se unir a grandes investidores?, afirma ela. ?Os italianos, de uma forma geral, investiram na produção em vez de ficar apenas na parte do design?, avalia. Giorgio Armani, por exemplo, é dono de suas fábricas ? e absurdamente criterioso quando o assunto em questão é qualidade. Outra grife pioneira da era ?made in Italy?, a Ferragamo rendeu-se ao poderio de consumo da elite brasileira. Ela inaugura amanhã loja no Shopping Iguatemi, com toda a sua linha de produtos. São calçados femininos e masculinos, bolsas, cintos, carteiras, pastas, gravatas, foulards, pelerines e casacos em couro. A butique estréia com a coleção verão 2002/03 e, em novembro, chegarão os produtos de inverno 2002, com lançamento simultâneo à Europa. A marca será controlada pela Via Veneto e terá direção de Mariana Massralla e Juliana Antunes. Se seguir a trilha das conterrâneas, logo despontará entre os maiores faturamentos do grupo.

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