Grife Falabella chega com dois musicais

Godspell, que estréia na quarta-feira no Teatro Jardel Filho, e o premiado South American Way, que entra em cartaz dia 17 no Procópio Ferreira, são os dois novos espetáculos que levam a assinatura do diretor, ator, produtor, escritor e empresário. Na semana passada, ele falou à Agência Estado sobre suas duas novas estréias. ?Gosto tanto de teatro que faço qualquer coisa, até levanto cortina e fico na bilheteria?, diz Falabella, entusiasmado com a sua aposta nos musicais. ?Se me derem uma sombrinha vou sair sapateando por aí, cantando na chuva? "É melhor do que fazer plástica!" Assim descreve, cheio de satisfação e bom-humor, Miguel Falabella (ator, autor, apresentador, diretor, produtor, escritor e empresário) o seu ´avanço´ nos palcos paulistanos. Duas peças suas entram em cartaz neste mês. Ou melhor, dois musicais. O primeiro é ´Godspell´, texto de Stephen Schwartz adaptado e dirigido por Falabella, que estréia quarta, no Teatro Jardel Filho. No dia 17, entra em cena o premiado musical ´South American Way´, de sua autoria, no Procópio Ferreira. "Minha filha, se me derem uma sombrinha vou sair sapateando por aí, cantando na chuva", brinca sobre sua atual aposta nos musicais. Falabella recebeu o JT durante um ensaio de ´Godspell´. "Você não se incomoda de conversar comigo assim não, né? Sou meio bagunçado mesmo. Faço tudo ao mesmo tempo para dar tempo de fazer todas as minhas coisas", avisou. Mas a "bagunça" de Falabella é um tanto concentrada. Ouve o interlocutor com atenção, olha direto nos olhos e pontua suas respostas com gestos e toques. E elas normalmente vêm cheias de boas tiradas. "Tem um povo que fala: ´Ai, ele é grosso´. Mas não sou grosso. É que tem gente que não tem noção! Faço a minha parte e exijo que os outros também o façam." Em seguida, interrompe a entrevista e pede: "Gente, vamos fazer aquele número, ´On the willows´". Segue a conversa com o JT, mas com os ouvidos no palco. Até que levanta da cadeira e lança para a solista Ester Elias: "Bonito Esteróvna! Sabe que tinha um anjo lá em Brasília no dia em que você nasceu? Aí ele não tinha muito o que fazer e pensou: ´Vou dar um beijo na garganta dessa menina´." Falabella começa o elogio sentado e termina quase no outro extremo do teatro. Com seus cerca de 1,80m de altura, parece preencher todos os cantos do Teatro Jardel Filho, com seus mais de 600 lugares. A seguir, trechos da entrevista de Falabell": Godspell: "Assisti ´Godspell´ em 75 ou 76 em Ipanema, no cinema da Nossa Senhora da Paz. Saí do cinema cantando. Pensei em resgatar o espetáculo. O original dos anos 70 já apresentava o clima de circo. Mas era uma tenda hippie. Para a montagem de 2002, mantive a idéia e só mudei algumas coisas. No prólogo original, eram filósofos discutindo a existência de Deus. No ´Godspell´ daqui são mendigos. Quis fazer um ´Godspell´ para homenagear o voluntariado. Para não só louvar a Deus, mas também o irmão que ainda estende a mão a quem tem fome ou está chorando". Carmen Miranda em SP: "Quando fiz a Carmen Miranda resgatei um pouco da auto-estima dos brasileiros. Algumas pessoas chegam a chorar porque vêem que músicas lindas nosso País já produziu, como nós somos um povo talentoso. E todos os dias somos massacrados, roubados, sacaneados, tirados da nossa cidadania. Mas continuamos um povo valoroso. Tenho quase certeza de que o paulistano vai delirar." Teatro até na coxia: "Gosto tanto de teatro que faço de tudo. Levanto cortina, fico na bilheteria. Recebi um telefonema da Bibi Ferreira que foi no último dia da temporada de ´South American Way´ no Rio. Cara, foi tão comovente o telefonema dela. Na verdade, me fez lembrar a minha infância. Na minha casa, presente de aniversário era ir ao teatro. Minha avó pagava um lanche e a gente ia ver uma matinê. Numa dessas, vi ´My Fair Lady´ com a Bibi, que é uma mestra em musicais. Aí ela falou comigo: ´Estou tão emocionada de ter visto sua Carmen Miranda, ver que alguém resgatou o gênero´. É claro que não só eu invisto nesse gênero, o Chico (Buarque) já fez isso antes. Mas, enfim, há sempre umas lacunas ao longo do tempo e aí se lembra dos musicais. Além de mim, tem um povo bacana nessa, como o Claudio Botelho." Palco X bastidores: "Quando você atua, é mais dono da situação, né? Como diretor, na estréia, dá o terceiro sinal e só nos restar torcer. O teatro é como um filho, depois que a peça estréia, depois que nasce, não é mais meu." Intimidade: "Hoje em dia as pessoas vendem tudo, até os filhos. Até cocô estão fazendo para serem fotografadas e saírem em alguma publicação vagabunda. Então nem falo mais sobre isso, nem deixo entrar na minha casa. Quero falar sobre o meu trabalho, é ele que interessa ao público. Mas não sou mestre para o público, ainda mais sobre vida pessoal. Sou um discípulo." Frustrações e projetos: "Adoraria fazer cinema. Tenho um roteiro, que tá rolando aí há um tempão chamado ´Polaróides Urbanos´. Eu não consegui a grana ainda. Não fico amargo, porque tenho outras realizações. Imagine se só tivesse esse filme, eu ia estar numa chatice terrível. Sou nuvem às vezes. Deixo o vento me soprar. Isso é uma sabedoria que aprendi." Manual de sobrevivência: "Acho que a gente tem que ser solidário como um todo nesse momento no planeta. Sem babaquice. Numa boa. Tem que contribuir de alguma forma porque a coisa está muito esquisita. Religiosos ou não religiosos, acho que todos nós de alguma forma temos alguma espécie de religiosidade. E as palavras do Cristo são pelo menos um manual de sobrevivência no planeta."

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