Grife é bom. Mas confunde

O cardápio define o bom restaurante, mas cria confusões. Aos poucos, os chefs entenderam que menos poderia ser mais, que a fome poderia ser aplacada com poucas e boas combinações e que variedade não é sinal de fartura. E então chegamos a Thaís Gulin. Seu cardápio impressiona e faz com que paremos a vida para ouvir esta jovem curitibana. Se eu Soubesse é uma bela canção nova em folha de Chico Buarque, que não contente em presenteá-la com este colar de pérolas também canta com ela. Encantada é outra linda e tinindo de Adriana Calcanhotto. E aí vêm Ali Sim, Alice, de Tom Zé; Revendo Amigos, de Jards Macalé e Waly Salomão; Frevinho, parceria com Moreno Veloso e sua própria ôÔÔôôÔôÔ, nome do disco e autoafirmação de uma intérprete com veia para a composição. Quando chama a velha guarda (Chico, Tom Zé, Adriana), Thaís deita sobre uma música que só essa gente pode fazer hoje em dia sem o risco de ser chamada de anacrônica. Quando chama os jovens (Kassin, Alê Siqueira, Moreno) baixam em Thaís outros referenciais, outro registro. E no final da audição (de quem ouve o CD, não de quem ouve faixas na internet), a pergunta persiste: "Quem é Thaís Gulin?". O problema desta boa cantora é mais de direção, de alguém que lhe digue "calma Thaís, menos é mais."

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2011 | 00h00

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