Gravuras desde o século 15, em mostra panorâmica

Por mais de 200 obras é possível ver opercurso da história da arte gráfica na ampla mostra ImpressõesOriginais: A Gravura desde o Século 15, que acaba de ser abertano Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo. Não se trata deuma exposição cronológica, mas nos três andares da instituição opercurso sobre a produção de gravura realizada entre os séculos15 e 20, passando por obras feitas a partir de técnicasdiferentes, estilos e movimentos artísticos distintos. Osartistas dessa panorâmica são de um pesado time, basta citarpoucos dos nomes para se ter uma idéia: Goya, Rembrandt, Matisse Gauguin, Nolde, Miró, Lichtenstein, Kokoschka, Max Bill,Toulouse-Lautrec, Paul Klee e Sol Lewitt. Há brasileiros também,contemporâneos, representados por obras dos clubes de gravura doMuseu de Arte Moderna de São Paulo e Museus Castro Maya do Rio,mas eles estão na menor parte da exposição. Tanta diversidade num período tão extenso de história,que começa no século 15 justamente porque a gravura começou aser feita nessa época, fez com que os curadores Carlos Martins,Valéria Piccoli e Pieter Tjabbes elegessem a produção de seteartistas como fundamentais para a concepção dessa mostra. Noterceiro andar do CCBB, o visitante vai encontrar prensas,instrumentos e edições, mas também obras de três dos artistasfundamentais, do alemão Albrecht Dürer (1471-1528), do francêsradicado na Itália Jacques Callot (1592-1635) e do holandêsRembrandt van Rijn (1606-1669). "Dürer foi escolhido pelasinovações e por seu aprimoramento técnico; Callot inventou atécnica do verniz na água-forte; e Rembrandt não respeitou oslimites das técnicas, as misturou em sua produção", diz CarlosMartins. O detalhamento da gravura em metal de Dürer e, comochama a atenção Tjabbes, o efeito do claro-escuro que Rembrandttranspõe para o papel são belos destaques. Já o segmento no segundo piso, o mais numeroso, se faz apartir da produção dos italianos Giovanni Battista Piranesi(1720-1778) e Giorgio Morandi (1890-1964); e dos espanhóisFrancisco de Goya y Lucientes (1746-1828) e Pablo Picasso(1881-1973). "Piranesi foi um sucesso editorial em vida, queimprimiu marca própria com as obras das paisagens de Roma", dizValéria. Como conta a curadora, as obras críticas de Goya, sobreo "lado trágico da vida", foram editadas somente a partir dedepois de 40 anos de sua morte. Dessa maneira, as gravuras deGoya se relacionam na mostra com as obras dos expressionistas,que carregavam em seus trabalhos os temas do trágico e dacrítica social. E, depois, Picasso e Morandi, contrastantes (o espanholera o "artista de energia" e o italiano, um artista do silêncioque se dedicou a ir ao encontro do máximo da essência aorepresentar garrafas e a paisagem) abrem na exposição o caminhoda arte moderna até a pop art, "o último momento em que agravura está amalgamada em um movimento artístico", como defineMartins. Nesse percurso, as cores vão ganhando mais presença,surgem o abstracionismo, o gestual - essa mostra vem claramentereafirmar que a gravura não é, de maneira alguma, um gêneromenor. Impressões Originais: a Gravura desde o Século XV. CentroCultural Banco do Brasil. Rua Álvares Penteado, 112, (11)3113-3651. 3.ª a sáb., 10 h às 21 h; dom., 10 h às 20 h. Grátis.Até 7/1

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