"Gravidade Zero" ganha texto e direção

Em compensação, Matheus terá de encher o palco não só com sua capacidade de voar pendurado de cabeça para baixo, mas também com muitas palavras em Gravidade Zero. "Sempre que via o Rodrigo atuando, mesmo gostando do trabalho dele, achava que ele precisava de um texto. Em Orgulho, por exemplo, ele misturava a carta-testamento de Getúlio com um trecho de Batman, o Cavaleiro das Trevas. Não era ruim, mas eu achava que faltava unidade."Daí a decisão de escrever um monólogo especialmente para o ator. "Mário me entregou o texto e eu gostei muito", diz Rodrigo. "Minha primeira idéia foi escrever um texto para um sujeito que nunca bota os pés no chão. E foi o que fiz. Escrevi um texto para ser feito por um ator pendurado, pairando no ar, porque ele é assim", afirma o dramaturgo.Mas Bortolotto admite que o espectador atento vai identificar ali a mesma visão de mundo, impregnada de humor ácido, que perpassa outras peças de sua autoria, como Nossa Vida não Vale um Chevrolet e Medusa de Rayban. "Escrevi um texto para ele atuar, mas não é sobre ele." Matheus decidiu pela montagem desde a primeira leitura. "Ele foi ver Orgulho e perguntou se podia escrever um texto para mim", lembra. "Aí criou esse cara que não põe os pés no chão. Há no monólogo uma interessante mistura de elementos bem cotidianos e bem característicos da obra do Bortolotto com outros universais."Quando surgiu a oportunidade de enviar um projeto para ser patrocinado pelo Cultura Inglesa Festival, Matheus convidou Andreatto para completar o trio de criação, por duas razões. "Antes de mais nada, ele é um especialista na direção de monólogos. E, depois, nós dividimos o palco em 1982, no espetáculo O Trágico à Força e ali ele se tornou uma espécie de guru para mim. Ele me chamou a atenção para o rigor ético necessário a um ator, alertou sobre os perigos do ego inchado."Andreatto prefere não assumir o papel de mestre. "Ih, ele está mentindo. Nada disso, eu dizia que ele era bonito, devia virar galã de novela e ganhar muito dinheiro", brinca o diretor. Segundo ele, o texto de Bortolotto pode propiciar uma ótima perfomance de Matheus, exigindo dele um trabalho mais teatral. "É um texto bonito e delicado sobre um homem e sua solidão."Ter na agenda duas produções com patrocínio e data de estréia já seria motivo suficiente para qualquer artista comemorar. Matheus, no entanto, está celebrando mesmo o que chama de primeiros frutos da criação da Central do Circo. A união faz a força. É simples assim a idéia que deu origem à iniciativa desses grupos. "Nosso tipo de trabalho exige treino constante, utilização de aparelhos, trapézios, equipamentos e cada grupo alugava um espaço, quase sempre pequeno e caro. Agora ocupamos um espaço grande e podemos revezar equipamentos, ensaiar, apresentar números."Localizada no bairro de Granja Viana, na Rua Adib Avada, 41, na altura do número 22.800 da Rodovia Raposo Tavares, a Central do Circo já se tornou um espaço cultural para os moradores da região. "Apresentamos nossos Cabarés nos fins de semana a preços populares, para um número cada vez maior de espectadores."

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