Grassi sai da Funarte e vai para Inhotim

Ator era o último homem forte da ex-ministra Ana de Hollanda no MinC

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2013 | 02h10

Deixou ontem o governo o ator Antonio Grassi, último homem forte da gestão da ex-ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Grassi estava à frente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) desde 2011 e será substituído interinamente pela diretora Myriam Lewin.

Grassi assume nos próximos dias o cargo de diretor-adjunto de projetos paralelos no Instituto Inhotim, museu localizado em Brumadinho (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte. Ele inclusive tem casa lá, porque é de Minas. "Inhotim tem inúmeras possibilidades, como por exemplo, se tornar cada dia mais um espaço para grandes espetáculos de artes cênicas, dança e música."

Grassi disse ao Estado ontem que sai "numa boa", e que sua saída não se deve a supostos atritos com a atual ministra Marta Suplicy. "Já tinha falado com ela há muito tempo sobre meu desejo de sair. Ela achou que eu deveria terminar bem o que havia iniciado. Já estava cansado, na gestão pública é importante a renovação. Aproveito e dou uma reciclada. Acredito e apoio a gestão da Marta, se ela precisar de mim estou à disposição", disse.

Ele destacou, entre suas realizações, ações no âmbito internacional, como o Ano do Brasil em Portugal e a Feira de Frankfurt; a política de residência artística para ocupação dos teatros ("Apesar dos atropelos e das dificuldades") e a "permanência dos editais".

A Funarte tem cerca de R$ 130 milhões de orçamento. Desse total, cerca de R$ 70 milhões são destinados a editais. No ano passado, Grassi foi muito criticado por publicar uma portaria decretando sigilo nos projetos contemplados por editais, o que foi considerado um tipo de "blindagem" e exemplo de falta de transparência.

Ele acha difícil a tarefa de escolher seu sucessor. "Não precisa ser artista, mas tem de ter diálogo com a classe. Também deve ter traquejo de gestão pública. Eu mesmo apanhei muito aqui, já tinha sido secretário do Rio de Janeiro, mas é muito difícil", ressaltou. Segundo Grassi, é preciso saber atuar tanto no fomento às artes quanto no apoio ao desenvolvimento de novas linguagens, novos talentos, na formação e também no que chama de "excelência" (os trabalhos de artistas consagrados).

Quase todo o primeiro escalão que iniciou a gestão com Ana de Hollanda já caiu. Antes de Grassi, já tinham saído de cena Vitor Ortiz (ex-secretário executivo), Galeno Amorim (ex-presidente Biblioteca Nacional), Sérgio Mamberti (ex-secretário de Políticas Culturais), José Nascimento Junior (ex-Ibram), Elói Araújo (ex-presidente da Fundação Palmares), Roberto Peixe (ex-secretário de Articulação Institucional), Luiz Fernando Almeida (ex-Iphan) e Morgana Eneile (ex-assessora especial).

Grassi corrige. "Ainda tem a Cláudia Leitão (Economia Criativa) e o Henilton Menezes (Fomento)", disse. São áreas mais técnicas. "Não vejo dessa forma (as demissões). A transição da Ana de Hollanda para a Marta foi muito tranquila. Complicada foi a transição do Juca Ferreira para a Ana. Já havia manifesto contra ela antes mesmo de ser empossada", criticou.

O ator sai coincidentemente no momento em que é aprovada a lei que deve instituir mecanismos de fiscalização na atividade do Escritório de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais (Ecad). A Funarte era o único órgão do governo que tomara a iniciativa de pagar voluntariamente o Ecad por matéria ainda sob controvérsia judicial. A decisão foi tomada em 2006, época em que Grassi presidiu a instituição pela primeira vez (e a ex-ministra Ana de Hollanda era sua diretora de música). Ele disse que vê a aprovação da Lei do Ecad como "um avanço enorme".

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