Grass se defende de crítica por ter sido das Waffen-SS

O escritor alemão Günter Grass se defendeu hoje das críticas que recebeu após admitir que fez parte das Waffen-SS - corpo de elite militar do regime nazista -, e convidou seus críticos a ler sua autobiografia "Beim Häuten der Zwiebel" (Descascando Cebolas).O prêmio Nobel de Literatura em 1999 disse à agência alemã de notícias "DPA" que considera "pessoalmente ofensiva" a polêmica gerada após sua confissão, e pediu que os que opinaram a respeito "leiam atentamente" o livro, que será lançado em 1.º de setembro."Certamente, há uma tentativa de alguns de me tornar uma não-pessoa", disse Grass, em referência ao termo "unperson" usado pelo escritor George Orwell em sua obra "1984" para se referir a alguém cuja existência foi apagada de todos os registros, como se nunca tivesse existido, por ter infringido a lei.Grass afirmou em entrevista publicada há dois dias no jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung" que servira, durante alguns meses e aos 17 anos, no corpo de combate das SS nazistas.Essa revelação causou grande polêmica, já que até agora nas biografias do autor de "O Tambor" constava que durante a 2.ª Guerra Mundial foi auxiliar de artilharia do Exército alemão.O escritor voltou considerar uma "mancha" em sua biografia o fato de ter pertencido alguns meses às Waffen-SS, e disse que "ao longo de 60 anos" tentou tirar "conseqüências" disso, como considera ter demonstrado em "seu comportamento posterior como escritor e cidadão".Grass se recusou a fazer comentários sobre as exigências de algumas pessoas para que renuncie ao título de Cidadão de Honra de Gdansk (antiga Danzig, sua cidade natal) e ao prêmio Nobel.O escritor alemão disse que a confissão de ter pertencido às Waffen-SS não é um questão-chave em sua autobiografia, mas as dolorosas perguntas de fundo sobre sua "ingenuidade" como jovem nos tempos do nacional-socialismo.A editora de Grass, a alemã Steidl, se mostrou hoje "surpresa" pelo debate gerado após as declarações do escritor, e afirmou que não foi responsável por levantar a questão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.