Grandes atrações culturais de 2003

Depois da tempestade cambial, abonança. O dólar recuou e o ano que começa anuncia boasnovidades na agenda cultural brasileira. Voltam ao País atraçõesfestejadas como o cantor Bryan Ferry e o DJ Carl Cox, o QuartetoAlban Berg e o escritor peruano Mario Vargas Llosa. E novosvisitantes também desembarcam aqui, como a atriz francesaIsabelle Huppert e o escritor Salman Rushdie. Mesmo que anuncie uma temporada modesta para o show biz,2003 terá compensações. O jazz, por exemplo, continuaráempunhando a bandeira solitária da novidade. O primeiro festivaljá escalado, o Chivas Jazz Festival - que será realizado entre28 e 31 de maio, no DirecTV Music Hall de São Paulo e na Marinada Glória no Rio - trará a maior revelação da cena nova-iorquinao pianista Jason Moran. E, de quebra, anuncia a vinda de umveterano expatriado brasileiro, Dom Salvador e seu Quarteto,acompanhados do saxofonista Dick Oatts (de Iowa, uma espécie deOrnette Coleman jovem, destaque na orquestra de Thad Jones e MelLewis). Capa da Down Beat deste mês, Jason Moran é egressodo grupo de Greg Osby e milita naquela geração de notáveisRobinhos do jazz nova-iorquino - seus colegas de palco têm sidogente como Lonnie Plaxico, Stefon Harris e Eric Harland, entreoutros. Espera-se também o retorno, em outubro, do ex-Free JazzFestival, agora sob nova direção e novo patrocínio. Na pauta,velhos sonhos da organizadora do festival, Monique Gardenberg:trazer o grupo de pop rock britânico Radiohead. Mas há toda umanova cena para apresentar aos brasileiros, especialmente oelectro americano, com grupos como Radio 4 e The Faint. Algumdeles, certamente, estará no cast. Mas a boa música não estará só restrita ao eixo Rio-SãoPaulo. Entre 12 e 15 de maio, em Porto Alegre e Curitiba, serárealizada a terceira edição do Natublues Festival, que traráeste ano os músicos James Blood Ulmer e Kenny Neal, entreoutros. As grandes casas de shows têm um cardápio aindaincipiente. O Credicard Hall, de São Paulo, traz, em fevereiro,duas atrações: o grupo Status Quo, conjunto inglês dos anos 60,e o cantor também inglês Bryan Ferry, ex-Roxy Music. Será em abril que o gelo começará a derreter. É o mês doSkol Beats, maior festival de música eletrônica do País, quetomará de novo o Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Além davolta já meio anunciada do DJ inglês Carl Cox, as novidades jáestão pipocando. Uma delas, confirmada, é a vinda do grupofrancês The Youngsters, que lança aqui seu disco de estréia,Lemonorange. A temporada erudita não será pródiga. Apenas duasorquestras de grande porte têm presença confirmada: a daFiladélfia, sob regência de Wolfgang Sawallisch (maio, naprogramação do Mozarteum, em São Paulo), e a Orquestra Verdi deMilão, que será regida por Riccardo Chailly (junho, CulturaArtística, também em São Paulo). Na área de visuais, destacar-se-ão as retrospectivas. Aprimeira será do enfant terrible Hélio Oiticica (1937-1980),cuja obra será revista em abril na Pinacoteca. Em seguida, o MAMde São Paulo vai expor uma retrospectiva de Cândido Portinari(1903-1962), em julho. O mestre gaúcho da pintura, Iberê Camargo(1914-1994), será objeto de mostra retrospectiva na Pinacoteca.Finalmente, em agosto, o foco vai para Arthur Bispo do Rosário(1911-1989), no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo. As artes cênicas também estarão fervendo. Em fevereiro,a atriz francesa Isabelle Huppert para o espetáculo 4.48Psicose, de Claude Regy. Em março, Maria Adelaide Amaralestréia Tarsila, dirigida por Sérgio Ferrara, peça que seráestrelada por Esther Góes, inspirada na vida e obra da pintora. Na literatura, a Bienal do Livro será o destaque do ano,de 15 a 25 de maio. Alguns convidados internacionais deverãocausar o maior frisson do evento, entre eles os escritoresSalman Rushdie e Mario Vargas Llosa.

Agencia Estado,

14 de janeiro de 2003 | 16h14

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