Mario Anzuoni/Reuters
Mario Anzuoni/Reuters

Grammy mostra a música renovada

Arcade Fire, Esperanza Spalding, Black Keys, Béla Fleck: novas estrelas suplantam os medalhões da indústria

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2011 | 00h00

Foi a festa mais imaginativa dos últimos anos, e também a mais justa nas premiações. O álbum do ano foi para os canadenses do Arcade Fire, cujo disco The Suburbs encabeçou todas as listas críticas do ano passado como o melhor da temporada. Justo.

A festança começou com uma grande homenagem a Aretha Franklin, a maior cantora viva, encabeçada por Christina Aguilera, Jennifer Hudson, Yolanda Adams, Martina McBride e Florence Welch. A boa notícia: Christina não comprometeu.

Havia uma mulher dentro de um ovo de H.R. Giger esperando para ser chocada, e era Lady Gaga, com seu peculiar senso de marketing. Ela cantou seu novo single, Born This Way, que todo mundo já sabe: é cópia de Express Yourself, de Madonna.

O gosto médio americano, é claro, também triunfou: o trio Lady Antebellum, de country, saiu da cerimônia com cinco prêmios, inclusive melhor canção e melhor gravação do ano. Foi a segunda vez seguida que a country music dominou o evento (no ano passado, Taylor Swift foi o destaque). O renascido Eminem, que concorria a dez estatuetas, levou apenas duas: melhor disco de rap e melhor performance solo de rap. Magro e sisudo, não sorriu, mas já está no lucro.

O ex-Beatle Paul McCartney levou seu primeiro Grammy solo em 39 anos no domingo, por uma canção que já tem 42 anos, Helter Skelter (está no disco ao vivo Good Evening New York City, de 2009), que balançou o Morumbi em São Paulo. Páreo duríssimo: concorriam com Paul os "garotos" Neil Young, Robert Plant, Neil Young e John Mayer.

Também foi extremamente justo e elegante o Grammy para o disco Moody 4B, do saxofonista James Moody, morto em dezembro aos 85 anos, de câncer no pâncreas. Foi concedido a Moody o prêmio de melhor álbum de jazz instrumental. A homenagem de Dee Dee Bridgewater a Billie Holiday levou o Grammy de melhor vocal de jazz - trata-se do álbum Eleanora Fagan (1915-1959): To Billie With Love From Dee Dee (selo Emarcy).

Bebel Gilberto e Sérgio Mendes, os brasileiros que concorriam com discos na categoria world music, perderam para Throw Down Your Heart, de Béla Fleck, que toca banjo e fez show memorável no Auditório Ibirapuera, há alguns anos.

Há babados que vão vazar para além dos Grammy. O músico que ganhou como melhor álbum de reggae, por Before the Dawn, Buju Banton, foi preso tentando vender cocaína a um policial disfarçado na Jamaica e pode ser condenado a passar a vida na cadeia. Como ele ainda não foi condenado, o júri do Grammy manteve a premiação.

Esperanza Spalding merece tudo, é excelente, mas melhor artista nova? Deve ser brincadeira: ela, que é fã de Egberto Gismonti e gravou em seu disco mais recente Ponta de Areia, do Milton Nascimento, já tem uns cinco anos de carreira, uns três no topo. De qualquer modo, foi legal: ela foi a primeira artista de jazz indicada para o prêmio de revelação em 35 anos (e bateu Justin Bieber, nada mau!)

O Brasil poderá ver em breve alguns dos ganhadores, como a banda Muse (melhor álbum de rock), que abrirá para o U2, em março. Outros ganhadores múltiplos foram o produtor de música clássica David Frost (quatro prêmios), Jeff Beck e John Legend (três cada um), Usher e a banda Black Keys (dois).

Os números musicais da noite foram bons, em sua maioria. Quando Bob Dylan surgiu, cercado pelo grupo folk inglês Mumford and Sons e pela banda de folk-rock americano The Avett Brothers, transformou em Maggie"s Farm em uma trilha sonora da conquista do Oeste.Mick Jagger fez vertiginosa homenagem a Solomon Burke cantando e dançando Everybody Needs Somebody to Love. Cee-Lo e Gwynett Paltrow em Fuck You foi bacanérrimo.

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