'Grammy estava fora do alcance'

Numa noite de 2007, na plateia de um clube nova-iorquino, ganhei um abraço de François Zalacain, o fundador da gravadora Sunnyside. Zacalain é francês e não é dado a arroubos efusivos mas ele não conseguia se conter, depois de ouvir João Donato pela primeira vez, ao vivo. A euforia do produtor me ajudou a entender a motivação por trás de sua gravadora, que completa 30 anos com um catálogo excepcional de artistas, como Luciana Souza, o líder de orquestra Guillermo Klein e o saxofonista Chris Potter.

NOVA YORK , O Estado de S.Paulo

14 Julho 2012 | 03h09

Zalacain acaba de abrir os braços para sua filha pródiga, Luciana Souza, a cantora paulista que mudou a história da Sunnyside com a primeira indicação para o Grammy, em 2002. "Até então", lembra ele, "nós nem prestávamos atenção no Grammy, era uma competição fora do nosso alcance."

Além da admiração, Zalacain deposita uma confiança artística em Luciana que resulta em gravações como Neruda, de 2004. O álbum, um recital de piano e voz com os versos do poeta chileno em inglês sobre canções compostas por Luciana, dificilmente sairia de uma gravadora maior e continua a ser um dos mais aclamados trabalhos da artista.

Sobrevivente numa indústria devastada pela pirataria e pelos efeitos da tecnologia digital, Zalacain contempla a paisagem da indústria com ceticismo gálico. Diz que voltamos ao século 19, quando os músicos encontravam seu público ao vivo. Com o fim das lojas de discos, as salas de concerto se tornaram pontos de venda de CDs.

Pergunto a Zacalain se ele teria coragem de fundar uma gravadora em 2012. "Sim, porque para mim não é um negócio," diz. "É uma insensatez começar uma gravadora para ganhar dinheiro." / L.G.

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