Gramado: filmes fáceis de entender e roteiros 'cabeça'

Durante a apresentação de O Que se Move, de Caetano Gotardo, ficou clara a estratégia da nova curadoria do festival: mesclar filmes de comunicação mais fácil com o público a outros que lhe exigem toda a paciência e atenção. É bem o caso desta talentosa estreia no longa-metragem do diretor paulista. A própria produtora, Sarah Silveira, já havia advertido, na apresentação do concorrente, que seria preciso atenção para com o "tempo do cinema", e paciência para poder aproveitar a proposta do filme.

AE, Agência Estado

17 de agosto de 2012 | 10h38

São três histórias de perdas e separações, entre mães e filhos, mas o tema, ou melhor, o enredo, aqui é o que menos importa e sim a maneira alusiva e porosa de contá-lo. O Que se Move é uma obra de sensações, de sutilezas, de palavras não ditas. Ou de palavras fundamentais que se escondem nas entrelinhas de outras palavras. Exige do espectador uma imersão dedicada e uma sensibilidade antenada muito mais naquilo que está implícito do que na superfície do filme. Nesse sentido, foi um erro passá-lo no último horário de uma sessão massacrante, com um longa latino antes, dois curtas e várias homenagens e discursos cansativos. É como obrigar o público a disputar os 400 m com barreiras depois de correr uma maratona. Não dá. É filme a ser observado, e fruído depois, em condições mais humanas.

O longa latino da noite, o cubano Vinci, de Eduardo Del Llano Rodríguez, não chega a ser uma decepção, mas se poderia esperar coisa melhor do cinema cubano. É um trabalho de locação única, uma masmorra infecta em Florença, onde Leonardo da Vinci é jogado, acusado de sodomia. Vê-se em companhia de dois presos, um ladrão e um assassino, que se entusiasmam com a chegada do colega moço, boa-pinta e bem vestido. Leonardo só tem a sua arte a ajudá-lo em sua sobrevivência e, do seu convívio com dois seres brutos, surgirão diálogos interessantes e revelações inusitadas.

Claro, até pela proposta, Vinci é teatro filmado. Em cena, Leonardo, os dois condenados e apenas mais um personagem, o carcereiro. E, bem, alguns ratos. O melhor são alguns dos diálogos inteligentes, uma discussão sobre a utilidade (ou não) da arte. Sobretudo em condições árduas como as descritas. Será preciso dizer que, apesar de não vivermos em calabouços medievais, esta questão está sempre presente? Um gosto pelo grotesco e a interpretação estereotipada de um dos presos diminui o interesse pelo filme.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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