Gramado é de Bróder

O jovem Jeferson De, com tema ambientado no Capão Redondo, de onde ele veio, leva os principais prêmios, de melhor diretor, ator (Caio Blat) e filme, mesmo entrando em competição em cima da hora

Luiz Carlos Merten / GRAMADO, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2010 | 00h00

Jeferson De e Caio Blat. Melhor diretor, melhor ator            

 

 

 

Convidado para abrir, fora de concurso, o Festival de Gramado, Bróder, de Jeferson De, só foi oficializado como concorrente depois de perder em Paulínia, há menos de um mês. Em cima da hora, a imprensa e o público foram informados de que havia mais um filme na disputa pelos Kikitos. Na coletiva, após a exibição de Bróder, a produtora Renata Moura confessou que Jeferson estava muito feliz porque Gramado tinha um significado especial para ele. Foi na serra gaúcha que o jovem cineasta obteve sua primeira consagração como diretor, ao vencer o prêmio de curta com Carolina, sobre a escritora Carolina Maria de Jesus. A alegria de Jeferson chegou ao paroxismo quando ele, vestido com a camiseta vermelha do Inter - colorado com orgulho -, recebeu os Kikitos de melhor filme e diretor da competição brasileira no 38º festival, sábado à noite.

 

 

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link Leitura Freudiana de Jeferson De

A esses prêmios, Bróder somou o de melhor ator para Caio Blat e ele também explodiu de alegria no palco do Palácio dos Festivais, dizendo que Macu, o personagem, foi um grande presente e que se sentia tão "negrão" quanto o diretor. Jeferson, na sequência, dedicou a vitória a Mano Brown e a Daniel Filho, que lhe disse "vai lá, guri, e ganha". Daniel Filho é produtor associado de Bróder com a Sony e a Globo, por meio de sua empresa Lereby. O filme deve estrear em novembro, no mês da consciência negra. Tem tudo a ver - como 5 Vezes Favela, Agora por Nós Mesmos, um projeto idealizado por Cacá Diegues, que também apoiou Bróder, o vencedor de Gramado oferece, a par de suas qualidades, a contrapartida social de ser um filme sobre a periferia feito por um autor que veio dela. Jeferson De disse que a tríplice vitória era a prova de que o Brasil mudou.

O júri da competição brasileira dividiu os prêmios entre Bróder e Não se Pode Viver sem Amor, de Jorge Durán, que ganhou em categorias importantes como fotografia, roteiro e atriz (Simone Spoladore). O prêmio de melhor curta, segundo o júri oficial, foi dividido entre Haruo Ohara, fecho da admirável trilogia sobre Londrina do diretor do Paraná, Rodrigo Grota, e Carreto, de Claudio Marques e Marilia Hughes. Outro júri oficial atribuiu ao chileno Mi Vida con Carlos, de Germán Berger-Hertz, o Kikito de melhor filme da competição latina. E o júri popular, integrado por leitores de 11 grandes jornais brasileiros, incluindo Maria Alzira Marinho Garcia, do Estado, premiou 180 Graus, de Eduardo Vaisman, como melhor filme brasileiro e Mi Vida con Carlos como melhor latino.

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