Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Gramado anuncia seus concorrentes

Oito longas nacionais, três deles já exibidos no Festival do Rio, e seis latinos vão disputar os Kikitos no mês que vem

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2013 | 02h10

Gramado anunciou ontem os filmes que serão apresentados na 41.ª edição do Festival de Cinema Brasileiro e Latino, de 9 a 17 de agosto. O evento será inaugurado pelo longa Flores Raras, de Bruno Barreto, que teve sua première mundial no Festival de Berlim, em fevereiro. Oito filmes integram a competição brasileira e seis, a latina. Não faltarão bons filmes - Éden, de Bruno Safadi, que integrou a Première Brasil no Festival do Rio de 2012 - nem escândalos anunciados.

Há quase 40 anos, a nudez frontal de Walmor Chagas em Um Homem Célebre, de Miguel Faria Jr., provocou réplica e tréplica, mas os tempos eram outros e o País vivia a longa noite da ditadura militar. A ditadura volta agora como pano de fundo de Tatuagem, de Hilton Lacerda. O filme passa-se em 1978 e tem como cenário o Chão de Estrelas, cabaré anarquista frequentado por dissidentes do regime e gays. Animador do cabaré, Clécio inicia tórrido romance com jovem soldado. O que virá daí gera expectativa - como roteirista e produtor, Lacerda já imprimiu sua marca no cinema brasileiro.

No texto distribuído à imprensa para anunciar a seleção de Gramado neste ano, Fernando Meirelles dá seu depoimento. Meirelles prescinde de apresentação - há um cinema brasileiro antes e depois de Cidade de Deus, de 2001. Segundo ele, "se olharmos para a história do festival (de Gramado), poderemos saber como foi o nosso Brasil e o nosso cinema nos últimos 40 anos". O evento, para falar a verdade, sofreu uma crise de identidade, e ela remonta ao início dos anos 1990.

Quando o cinema do Brasil quase foi desmantelado no governo de Fernando Collor de Mello - com seu plano de moralização da coisa pública que se revelou 'imoral' -, Gramado virou festival latino por falta de produção brasileira e também porque o Rio Grande (Porto Alegre) é o ponto avançado nacional do Mercosul. A dupla identidade- cinema brasileiro e latino - foi uma solução interessante, mas Gramado, cidade turística, começou a dar mais atenção para o tapete vermelho do que para a qualidade dos filmes.

O problema, evidentemente, não é o tapete vermelho, que Cannes também tem e é o maior festival do mundo. O problema é quando celebridades de segunda categoria ficam mais importantes que o cinema de autor, que se espera num festival. Nos últimos anos, Gramado tem tentado corrigir isso. A seleção, com curadoria de Rubens Ewald Filho, José Wilker e Marcos Cantuária, não obriga que os filmes sejam, necessariamente, inéditos. Entre os brasileiros, três integraram a Première Brasil - Éden; A Coleção Invisível, de Bernard Attal; e Primeiro Dia de Um Ano Qualquer, de Domingos Oliveira (veja o quadro).

A seleção latina (ou iberoamericana) inclui uma coprodução Brasil/Argentina - A Oeste do Fim do Mundo, de Paulo Nascimento. Os demais concorrentes são Cazando Luciérnagas, de Roberto Flores Prieto, Colômbia; El Padre de Gardel, de Ricardo Casas, Uruguai; Puerta de Hierro - El Exilio de Perón, de Dieguillo Fernández e Victor Laplace, Argentina; Repare Bem, de Maria de Medeiros, Portugal; e Venimos de Muy Lejos, de Ricardo Piterbarg, Argentina (de novo).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.