Grafiteiros aprendem a fazer "arte"

Em iniciativa pioneira, pichadores paulistas estão entrando pela porta da frente e à luz do dia no Departamento do Patrimônio Histórico do Município (DPH) para aprenderem a arte do grafite. As oficinas gratuitas, que são uma iniciativa da Secretaria de Cultura e do DPH, tiveram início hoje com sucesso de público. "Estamos com 200 alunos que foram divididos em quatro turmas", disse Oswaldo Júnior, o "Juneca", professor de grafite das oficinas, ex-pichador e atual artista plástico. Segundo Breno Berezovsky, assistente técnico da direção do DHP, o objetivo dos cursos é conscientizar e mudar a atitude dos pichadores frente aos monumentos históricos. "As oficinas incluem, além do grafite, aulas sobre a importância da preservação do monumento", disse Berezovsky. "Mas para os alunos isso será transmitido de forma leve e simples, nada muito chocante."Juneca se considera uma prova viva de que os pichadores podem ser conscientizados. "Pichei por oito anos, mas depois descobri o grafite e acabei virando artista plástico", contou. "Hoje a arte é minha profissão." O seu passado é o que o incentiva a ministrar cursos a pichadores. "Acredito que por trás de cada pichador existe um artista em potencial."Murilo Borges Dias, de 15 anos, ilustra bem essa potencialidade descrita por Juneca. "Sou pichador há 2 anos e quase não conhecia o grafite", contou. "Estou descobrindo que grafitar pode ser legal e pretendo começar a fazer." Na primeira aula o adolescente já mostrou que tem talento com seus desenhos que em breve virarão grafite. Mas Murilo também declarou que não é por isso que deixará de pichar a sua marca "Os Primos" pelas ruas da cidade. "É legal pichar porque é proibido, tem mais emoção", afirmou. "Já para o grafite é preciso autorização." Tanto Murilo como o seu colega de curso Bruno Pereira de Macedo, de 16 anos, não pretendem desistir da atividade de pichar, mas já aprenderam que em monumento histórico não se mexe. "Já pichei muitos lugares e vou continuar fazendo, mas nunca vou pichar estátuas ou prédios históricos", disse Macedo.As oficinas terminam no final de agosto. "Vamos finalizar o curso com uma exposição de cada uma das quatro turmas", disse Berezovsky. "Já temos quatro espaços reservados na Galeria da Consolação para os grafites das turmas." Segundo ele passam pela galeria 30 mil pessoas por dia, o que trará um bom reconhecimento às obras dos alunos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.