Grã-Bretanha abre inquérito judicial sobre morte de Berezovsky

O oligarca russo Boris Berezovsky, que morreu no fim de semana em uma mansão próxima a Londres, foi achado caído no chão do banheiro com "uma atadura em torno do pescoço", segundo depoimento prestado na quinta-feira ao inquérito judicial sobre o caso.

MARIA GOLOVNINA, Reuters

28 de março de 2013 | 08h53

A polícia disse não haver sinal de luta, e descreveu a morte do empresário de 67 anos como sendo "consistente com enforcamento", o que sugere um suicídio.

Sem entrar em detalhes, o inspetor policial Mark Bissell disse na abertura da investigação que Berezovsky foi achado com uma atadura em volta do pescoço, e que um pedaço de um material semelhante estava enroscado no trilho do box, acima dele.

Berezovsky, que sobreviveu a anos de intrigas, disputas de poder e tentativas de assassinatos na Rússia, foi achado morto no sábado em Ascot, a oeste de Londres.

Questionado sobre o possível envolvimento de terceiros na morte, ele respondeu: "Isso não pode ser completamente eliminado".

Uma nova sessão do inquérito judicial ainda não foi marcada.

Berezovsky apadrinhou a ascensão de Vladimir Putin ao poder na Rússia, mas em 2000 os dois se tornaram inimigos, e o magnata fugiu para a Grã-Bretanha.

Pessoas próximas a ele afirmam que ele estava deprimido depois de perder no ano passado um processo judicial no valor de 6 bilhões de dólares contra outro oligarca russo, Roman Abramovich, quando uma juíza o humilhou publicamente dizendo que ele era uma testemunha que causa pouca impressão e que não tinha credibilidade.

Outros, no entanto, disseram desconfiar do relato oficial. "Se ele realmente se enforcou, por que isso não foi sabido desde o começo", disse o oposicionista russo Andrei Sidelnikov, que conhecia Berezovsky. "Não acredito que tenha sido suicídio."

Na Rússia, o subprocurador-geral Alexander Zvyagintsev disse à imprensa estatal que o governo vai continuar os esforços para "trazer de volta bens que Berezovsky e seus cúmplices adquiriram criminalmente e legalizaram no exterior".

(Reportagem adicional de Steve Gutterman em Moscou)

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