Governos têm 'alinhamento' pelo Masp

Ângelo Oswaldo, presidente do Instituto Brasileiro de Museus, diz que museu está "encalacrado" em sua parte curatorial

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2014 | 02h08

Ângelo Oswaldo, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), órgão do Ministério da Cultura, disse ontem ao Estado que foi acertado um "alinhamento" do governo federal com os governos do município e do Estado de São Paulo (os secretários Juca Ferreira e Marcelo Araujo) para apoiar o Masp em sua crise. "Mas na expectativa de mudanças, porque a crise se acentuou e se aprofundou", arguiu.

O presidente do Ibram atribuiu a um "grupo hegemônico" que estaria tentando se manter na direção do museu a gestação da crise, mas elogiou a atual presidente, Beatriz Pimenta Camargo, dizendo que ela teve um "gesto lúcido e corajoso" no sentido de abrir as portas do museu à solução da crise. Oswaldo falou ao Estado, ontem, por telefone.

O governo federal está acompanhando de perto a crise do Masp?

Sim, estamos acompanhando muito atentamente. Há um mês e meio estive no museu, fiz uma visita técnica, fui recebido pela presidente Beatriz Pimenta Camargo e pelo diretor Alberto Whitaker. O curador Teixeira Coelho não estava. Antes, a ministra Marta Suplicy já tinha visitado o Masp. Acertamos um alinhamento nas três esferas de governo e temos uma abertura para o diálogo, com o propósito de colaborar, mas também aguardando mudanças internas que acenem para uma nova realidade. Se não houver mudanças na política institucional, não vai funcionar. A Beatriz entrou no museu para contribuir, mas viu que é muito difícil. O Masp não tinha um plano museológico (O plano museológico é um instrumento previsto pelo Estatuto dos Museus que estabelece parâmetros gerais de organização e gestão) e um museu tem que ter uma estratégia. Estão trabalhando nisso agora. Ela determinou a feitura do plano. E busca apoio político amplo para sustentar essa mudança.

Ela vai sair do museu?

Ela deverá ser presidente do Conselho. Houve uma série de desgastes da atual diretoria. Beatriz está abrindo caminho para uma nova diretoria executiva, para permitir essa abertura que solucionará a crise do museu.

Mas o museu está em situação emergencial, não tem recursos nem forma de captá-los. Vai conseguir reagir?

O Masp é o museu mais importante, ninguém negará apoio. Acho que a crise está no momento exato de sua solução, não se pode permitir que ela perdure mais. É um museu que está instalado num prédio magnífico, tem o acervo nacional mais importante da América Latina. O problema de hoje é a soma de muitas pequenas crises, e o museu ou sofria um tratamento de choque ou poderia até ser fechado. A ministra abriu o Ministério da Cultura e o Ibram para ajudar. É preciso chegar a um entendimento para receber doações que possam zerar o problema atual e começar uma nova etapa.

O Masp vai poder se apresentar à Lei Rouanet?

Vai. Vai solucionar sua inadimplência e reagir. As crises quando ficam agudas é que geram soluções. Quando é crise branda, tende a perdurar, fica encoberta. Agora é a hora. Teremos um novo Masp nos próximos dias.

O atual curador do museu tem responsabilidade nisso.

As exposições que têm sido feitas... O Teixeira Coelho é muito bom para escrever artigos contra o governo. Escreveu um aí no Estado, se não me engano, esculhambando os esforços para ajudar o museu. Mas em que ele contribuiu para superar os problemas do Masp? Ele criou impasses, o museu está encalacrado no sentido curatorial, programático. A programação do Masp foi afetada por um curador que é mais professoral do que curatorial. Ele põe fogo no circo no qual ele tem parte fundamental.

ÂNGELO OSWALDO

PRESIDENTE DO IBRAM

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