Governo nega favorecer Waly Salomão

O presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Pedro Corrêa do Lago, e o Secretário Nacional do Livro e da Leitura, Waly Salomão, vieram a público ontem explicar um suposto favorecimento do governo para pagar a tradução espanhola do livro Algaravias, de Salomão. O livro foi incluído anteontem no Programa de Apoio à Tradução de Obras de Autores Brasileiros, que concedeu nove bolsas a editores espanhóis, no valor equivalente a US$ 4,5 mil (cerca de R$ 15 mil), para traduzir para publicação na Espanha autores brasileiros. Além de Salomão, foram contemplados pela bolsa os livros Secreções, Excreções e Desatinos, de Rubem Fonseca (romance, editora Seix Barral, S.A.); Das Rias ao Mar Oceano, de Reynaldo Valinho Alvarez (editora Espiral Maior); e Histórias sem Data, de Machado de Assis (Editora Obelisco). Segundo Pedro Corrêa do Lago, a aprovação do livro de Salomão foi decidida na gestão de Eduardo Portela à frente da Biblioteca Nacional e sua ratificação cumpriu função meramente burocrática. "Apenas confirmei o que havia sido aprovado na gestão anterior", disse Corrêa do Lago. "A verba já estava prevista para esse fim e não me pareceu incorreto dar execução à bolsa." Já Waly Salomão distribuiu uma nota irônica. "Infelizmente, os dotes de minha bola de cristal não poderiam supor, em dezembro de 2001, quando o projeto de tradução foi apresentado à Biblioteca Nacional e aprovado na gestão do professor Eduardo Portela, que eu ocuparia o cargo de secretário do Livro no Ministério da Cultura no governo Lula. Nem tão pouco poderia eu renunciar aos prêmios Jabuti e Alphonsus Guimarães recebidos pelo livro." Salomão acrescentou que, por sinal, não receberá "um tostão furado" pelo projeto de tradução do seu livro. A bolsa destina-se ao tradutor, Adolfo Montejo Navas, e à editora.

Agencia Estado,

20 de março de 2003 | 17h17

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