Governo francês cede às pressões de artistas

Artistas e técnicos de cinema, teatro e TV da França, em greve há oito dias, tiveram hoje uma vitória parcial em sua campanha pela manutenção de direitos relativos ao seguro-desemprego. Segundo a BBC, o ministro da Cultura francês, Jean-Jacques Aillagon, informou aos grevistas que vai mudar sua proposta e que só haverá mudanças no sistema de seguro-desemprego do setor cultural do país a partir de janeiro de 2004, três meses depois do prazo anterior.Os profissionais da cultura da França pararam o trabalho no dia 30 de junho em resposta a uma tentativa do governo de restringir seu acesso ao seguro-desemprego. O governo recuou da proposta depois que uma carta assinada por 1.100 atores, diretores e técnicos de cinema foi publicada nos jornais L?Humanité e Libération contra as mudanças no sistema.Mas a carta dos trabalhadores do cinema francês não foi a única razão para o novo comportamento do ministério da cultura francês. Amanhã começa o 57º Festival de Avignon, mega-evento que reúne produções e manifestações culturais em várias artes, com uma programação intensa. Se sobreviver à greve dos profissionais da cultura, o festival vai até o dia 28. Mas ícones da cultura francesa, como a companhia de teatro Comédie Française e o Paris Opéra, cancelaram apresentações. Festivais de ópera em Aix-en-Provence e de dança em Montpellier já fora prejudicados. Enquanto isso, os grevistas fazem manifestações de rua quase diariamente.Pela lei atual, se um artista ou técnico francês trabalha um total de 507 horas, pode pedir o seguro-desemprego quando não estiver trabalhando. A proposta do governo é manter as 507 horas como requisito, mas impor também um tempo mínimo de 10 meses de trabalho para requerer o benefício. A proposta foi considerada catastrófica pelos profissionais da cultura. Muitos deles trabalham sem datas certas e por isso, dizem, é importante poder retirar o seguro-desemprego a qualquer momento depois de preencher o critério das 507 horas.O seguro-desemprego dedicado aos profissionais da cultura pode ser sacado por qualquer gênero de artista, até mesmo comediantes de bar. O fundo de onde sai o dinheiro tem um custo de ? 800 milhões, mas as contribuições perfazem apenas ? 100 milhões.

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