Governo desconhece estudo

O ministro da Cultura, FranciscoWeffort, está no cargo desde o primeiro governo de FernandoHenrique Cardoso. Em 1997, ele encomendou à Fundação JoãoPinheiro, de Belo Horizonte, aquele que seria o primeiro estudopara demonstrar a importância da cultura na economia nacional, ochamado PIB Cultural.O Ministério da Cultura informou que não conhece o estudo daFundação Carlos Chagas e precisa tê-lo em mãos para que oministro Weffort possa emitir uma opinião a respeito.O estudo do governo, feito pela Fundação João Pinheiro, foidivulgado em 1998. Chegou-se aos seguintes números: 1% do PIBbrasileiro estava ligado a atividades culturais, o quemovimentaria em 1997 cerca de 6,5 bilhões de reais, gerando 510mil pessoas empregadas no setor.O estudo da Fundação Carlos Chagas parte de uma metodologiadiferente e também de uma conceituação particular do que seja aindústria cultural. Segundo texto dos autores, no estudo, asinovações tecnológicas, "que fizeram com que a informação e oconhecimento conhecessem um novo ciclo, iniciado ainda nos anossetenta, mas aprofundado nas duas décadas seguintes", deve serrigorosamente avaliada.Eles citam como dado da nova indústria cultural aemergência acentuada de novos meios de comunicação, associada aextrema segmentação e individualização do acesso, como o vídeo, ovideogame, o walkman, a televisão a cabo, o DVD, o fax, otelefone sem fio, a telefonia celular, secretária eletrônica, ofax, o computador pessoal, o notebook, o palmtop, o modem, aimagem digital, e, principalmente, a Internet, "dentro de umciclo produtivo não só capaz de trazer em quantidade ediversidade dos novos instrumentos de comunicação, garantindoalém da individualização do acesso, a interatividade virtualampliada".Este ciclo, continuam os autores, ainda está em curso, "e comlances futuros antecipados, como o da produção em escala datecnologia da televisão digital, que pretende unir o computadorà televisão em um só aparelho, e mudar ainda nesta década opadrão de percepção cognitiva, a forma de acesso e interaçãofuturas". Essa mudança de padrão "produziu um forte impactosocial na forma de gerar, apreender e emitir informação econhecimento".Mulheres - A outra face da consolidação da indústriacultural analisada pelos autores trata de alterações no estilode vida nas sociedades ocidentais, como "o aumento daparticipação das mulheres no mercado de trabalho, abandonandosuas funções domésticas, transformando-se em consumidoras, mastambém contando com uma nova logística para manutençãodomiciliar, através de uma outra infinidade de aparelhos de usodoméstico".Eles também citam a tese do "encasulamento" de Popcorn em suasdefinições teóricas, um processo pelo "qual um número cada vezmaior de pessoas permace mais tempo em casa, pois aí seencontram disponíves todos os recursos para a reproduçãoindividual ou familiar, além do acesso aos meios de informação,entretenimento, lazer, além dos mais variados serviços deatendimento domiciliar".Eles analisam a distribuição da Internet (enquanto 20% dospaíses mais ricos apropriavam-se de 86% do PIB mundial, aparticipação de usuários da Internet para esses mesmos paísesera de 93%).Para Luiz Carlos Prestes Filho, a vitalidade da indústriacultural no Rio é parte de uma vocação inata do Estado. "Temgente aqui que prefere deixar de comprar sapato para comprar umdisco, ir a um show ou fazer um curso de dança de salão",pondera.

Agencia Estado,

08 de maio de 2002 | 16h29

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