Governo da Venezuela critica novelas em esforço para conter homicídios

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pedirá a representantes das emissoras de televisão do país nesta segunda-feira que mudem o que ele chama de cultura da violência glamorizada pela mídia.

Reuters

20 de janeiro de 2014 | 18h54

Eleitores rotineiramente citam os crimes violentos como sua principal preocupação. No caso mais recente a pressionar o governo, um homem atirou e matou uma ex-miss Venezuela e seu ex-marido na frente da filha do casal.

Maduro, que ganhou uma apertada eleição presidencial em abril para suceder seu falecido mentor Hugo Chávez, acusou as emissoras de televisão, em especial as populares novelas, de glamorizar armas, drogas e bandidos.

"Nós vamos construir uma cultura de paz", disse ele na semana passada, convocando representantes de canais locais a ir o Palácio de Miraflores nesta segunda-feira.

"Eles transmitem valores negativos de morte, drogas, armas, violência e traição e tudo de ruim que um humano pode ser", afirmou.

O governo lançou cerca de 20 campanhas para melhorar a segurança nos últimos anos, mas a taxa de homicídios continuou a se agravar. De acordo com dados oficiais, o número de assassinatos cresceu 105 por cento desde que Chávez chegou ao poder, há 15 anos.

Uma nova força nacional de polícia foi lançada e as autoridades socialistas também tem mirado produtos que acreditam que contribuem para a cultura da violência. Cinco anos atrás, Chávez baniu a produção, importação e distribuição de jogos eletrônicos e brinquedos violentos.

A taxa oficial de homicídio do país foi de 39 a cada 100.000 habitantes no ano passado. Organizações não-governamentais locais calculam que o número seja quase o dobro, computando um total de 24.000 mortes.

O assassinato neste mês da rainha da beleza e atriz de novelas Monica Spear provocou uma reunião de emergência entre políticos para discutir a criminalidade e um raro aperto de mãos entre Maduro e seu rival opositor, Henrique Capriles - o primeiro desde o amargo impasse eleitoral de abril.

Para críticos, a última versão dos planos do governo para combater o crime não ataca as raízes do problema, como a impunidade generalizada - causada em grande parte por um sistema judicial defasado e corrupto e pela cumplicidade de alguns policiais mal pagos.

(Reportagem de Diego Ore)

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