Governo cria fundo que apóia a cultura fora do País

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, embaixador Sergio Amaral, lança amanhã em almoço na Federação das Indústrias de São Paulo um projeto de criação de um fundo para difundir a cultura brasileira no exterior.A peculiaridade do projeto é que o fundo será oriundo de recursos da renúncia fiscal, programas de incentivos que visam primordialmente estimular a ação das empresas no estímulo à cultura. O governo, em tese, não precisaria recorrer a recursos provenientes de sua própria disposição em abrir mão de parte da receita do Imposto de Renda - bastava abrir o próprio cofre.O novo fundo, segundo adiantou Amaral, terá um conselho interministerial e de empresários e será gerido pela Funcex (Fundação de Comércio Exterior). O embaixador Sérgio Amaral diz que a Lei Rouanet não foi alterada para permitir a utilização, pelo próprio governo, de recursos dessa natureza. "Temos autorização do ministro da Cultura, Francisco Weffort, e haverá apenas uma modificação dos mecanismos de aprovação dos projetos pela Lei Rouanet", explicou.Na prática, isso significa o seguinte: caso uma companhia de dança necessite de recursos para fazer uma turnê internacional, e isso seja visto pelo conselho da Funcex como bom para a imagem do País no exterior, o grupo poderá recorrer ao programa. Os organizadores ainda não sabem quanto poderá ser o aporte inicial de recursos do projeto.O fundo é parte de um conjunto de iniciativas do ministério, que encomendou um estudo à agência McCan Erickson para fazer um diagnóstico da visão que o Brasil desfruta no exterior. A agência fez uma pesquisa em 10 países. O resultado prático, até agora, é um slogan, que será divulgado hoje. "Brasil: mais que talentos, bons negócios".O embaixador Amaral disse que teve uma idéia da importância da cultura como elemento de boa receptividade no exterior quando foi embaixador do Brasil na Inglaterra, entre 2000 e 2001. "Boa parte do que sai na imprensa internacional sobre o Brasil é notícia relacionada a crime, desmatamento, morte de índios", ele disse. "É muito difícil evitar que essas notícias saiam, porque elas têm uma base de verdade, embora sejam apresentadas de forma excessiva". A cultura, segundo ele, é uma forma mais nobre de divulgar o Brasil e recebe sempre boa acolhida, por que sempre há boa expectativa em relação a esse "produto" brasileiro.Segundo Amaral, sua gestão na embaixada do Brasil em Londres conseguiu efetivar 54 projetos de natureza cultural, como uma apresentação do Grupo Galpão no Globe Theater, e recebeu 107 artigos elogiosos na imprensa britânica. "O Brasil é muito conhecido por algumas idéias boas", ele diz, reafirmando o slogan criado pela McCann. "O Brasil é mais que talento, é também sofisticação, eficiência".Naquela ação em Londres, o embaixador contou com a ajuda da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), de São Paulo, para captar recursos, o que o levou a indicar a fundação para trabalhar como agente cultural junto ao novo fundo, na sua ação inicial. Será constituída uma bolsa de projetos. Depois da Faap, Amaral pensa convidar a Brasil Connects para também indicar projetos no exterior que mereçam receber o apoio do novo fundo.Segundo eles, os países prioritários para receber as atividades são Estados unidos, Inglaterra, México, Alemanha, França, China, Índia, Rússia, Japão e algumas países árabes. O programa todo será anunciado no final do mês, em solenidade na Cidade do México, durante missão comercial do Brasil.A Marca Brasil, segundo o ministro, é uma estratégia de promoção do País por outros produtos, além daqueles pelos quais ele já é conhecido. "Não é que a gente queira misturar cultura com calçado, mas a idéia é também usar a boa recepção que tem a cultura brasileira para promover exportações", diz Amaral. "Na Inglaterra, por exemplo, a cultura tem uma importância no PIB nacional maior que a agricultura".

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