Gotan: o tango modernizado e virado do avesso

Desde o início da década passada, no ano de 2001 para ser mais preciso, o tango nunca mais foi o mesmo. O estilo criado na Argentina e popularizado por Carlos Gardel nos anos 20 tem se misturado às batidas eletrônicas e conquistado não só os argentinos mas o planeta pelas mãos dos músicos do Gotan Project.

Felipe de Paula, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2010 | 00h00

O nome não faz alusão à cidade de Batman, é simplesmente a inversão de sílabas da palavra TANGO, e é essa a brincadeira do trio formado pelo francês Philippe Cohen Solal, pelo suíço Christoff H. Muller e pelo argentino Eduardo Makaroff: subverter o sisudo e passional ritmo portenho com pitadas de dub jamaicano e grooves irresistíveis à pista de dança (algo que poderia agradar muito outro herói do gênero, o inquieto Astor Piazzolla).

Eles acabam de lançar seu terceiro trabalho de estúdio, Gotan 3.0, e o que para alguns pode ser mais do mesmo, por não trazer mudanças radicais no som do grupo, pode ser traduzido em sutileza, pois as surpresas vão aparecendo a cada nova audição.

Do ska ao narrador. São destaques no trabalho o ska eletrônico de Desilusion, o coro de crianças que contrasta com a crueza de Rayuela e o comentarista de futebol Victor Hugo Morales, quando aparece brincando com as palavras "gol" e "Gotan" na faixa La Gloria, que já é destaque na programação da Radio Eldorado FM (92,9 - SP).

Como Bebel Gilberto fez com a bossa nova, Marcelo D2 com o samba e tantos outros artistas que bebem da fonte do passado para criar uma música jovem e cada vez mais globalizada, o Gotan também é a prova de que a arte revisitada pode se tornar o principal produto de exportação que um país pode oferecer ao mundo.

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