''Gosto de mudar, se eu fizer sempre o mesmo, viro clichê''

Grande astro "latino" de Holly-wood, Javier Bardem foi escolhido para formar o par romântico de Comer Rezar Amar com Julia Roberts. Ele interpreta o brasileiro Felipe, com quem a autora do livro, Elizabeth Gilbert, se casou na vida. Javier Bardem fala um português meio enrolado, um portunhol. Para os gringos, pode ser perfeito. Para os jornalistas brasileiros que participavam do Sony Summer, em Cancún, cada fala do ator era motivo de riso. Mas ele se esforça, é preciso reconhecer.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2010 | 00h00

Javier Bardem era jovem, tinha 19 anos, quando viveu uma experiência decisiva no Brasil. "Foi no litoral do Rio, numa praia maravilhosa. Havia combinado de viajar com minha namorada, mas ela me deu o fora na véspera da viagem. Embora deprimido, resolvi viajar. Ficava sozinho, jogado na areia ou ao sol, naquelas praias que não estavam muito movimentadas, porque era fora de temporada. Tinha crises de ansiedade, achava que ia morrer. Numa delas, a sensação era tão forte que eu fiquei aterrado. Ia morrer longe de casa, num lugar estranho, entre gente que não falava minha língua e não entendia o que eu dizia. Todo garoto tem seu momento de virar homem. Aquele foi o meu. Percebi que tinha de reagir, retomar minha vida, e foi o que fiz."

Ele não se furta a comentar o sotaque. "Está ruim?" Conta que testou com amigos, mas revela que não havia um "coach", um instrutor de português, com ele, no set. Numa cena, Felipe define Liz como "falsa magra". Isso é coisa de brasileiro. Javier Bardem adora as falsas magras. Elogia a beleza da mulher brasileira, mas resiste a falar sobre sua relação com Penelope Cruz. "Não comento minha vida íntima com jornalistas", anuncia com cara de quem não quer conversa. O repórter insiste. "Mas ela é atriz, com quem você já dividiu a cena mais de uma vez. Fale então da atriz." Ele responde - "O que vou dizer que você já não saiba? Dizer que ela é maravilhosa? É."

Sobre Pedro Almodóvar, não mede as palavras. "Se ele me chamar para fazer não importa o quê, eu vou." A entrevista ocorre durante a Copa do Mundo. Bardem preferiria estar diante da TV, assistindo aos jogos de sua seleção. Naquele dia, o repórter ainda não sabe que o Brasil será desclassificado nem o astro desconfia de que a seleção da Espanha será campeã do mundo. Javier Bardem manifesta suas dúvidas. "Não basta ganhar, tem de jogar bonito." O toque de bola da seleção espanhola é elegante, mas não o satisfaz. "Não estão finalizando direito", avalia.

De volta ao filme, Bardem comenta a passagem de personagens torturados - e torturadores - como o assassino de Onde os Fracos não Têm Vez, dos irmãos Coen, que lhe valeu o Oscar de coadjuvante, para o herói romântico de Comer Rezar Amar. "Filmei num dos lugares mais belos do mundo, ao lado de uma das grandes estrelas do cinema. Foi como tirar férias." Acrescenta que não está menosprezando o trabalho. "Como ator, gosto de mudar. Se ficar fazendo sempre o mesmo papel, vou virar clichê." Sobre Julia, afirma. "Ela diz que é preguiçosa, mas tem uma disciplina férrea quando está trabalhando. Peguei o filme na fase final, a equipe estava cansada das viagens. Julia era a única que parecia não se incomodar. Todo dia estava animada, contando piadas. É muito divertida."

Trailer. Veja trechos de Comer Rezar Amar

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