''Gosto de interpretar personagens opostos''

Paul Bettany, ATOR BRITÂNICO

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2010 | 00h00

Após viver Charles Darwin em Creation num filme britânico de baixo orçamento, Paul Bettany volta a Hollywood como detetive incapaz de decifrar os segredos de um suspeito, Johnny Depp, em The Tourist. Em entrevista ao Estado em Paris, o ator de 39 anos fala do filme e da preferência em alternar papéis complexos em filmes alternativos.

The Tourist é remake do filme francês Anthony Zimmer. Você viu o original?

Florian pediu que não o víssemos, para evitar influências.

Anthony Zimmer era filme de ação, se esforçava para ser duro, realista. The Tourist é mais leve. Por que ambos são tão distintos?

Florian não queria um filme que explorasse tecnologias, nem movimentos nervosos de câmera. Queria um filme de Hollywood com espírito mais retrô, que as pessoas curtissem ver. Eu estava observando algumas cenas outro dia e percebi quanto ele estava interessado em fazer um filme atraente, leve.

Os dois longas de Florian são sobre espionagem. Mas The Tourist é diferente de A Vida dos Outros. Não esperava atuar com Florian de A Vida dos Outros?

Se você é um mestre do cinema, tentará não fazer sempre o mesmo filme. Ele é muito consciente disso. Florian ama o cinema americano. Seu primeiro filme foi muito europeu. Agora, acho que ele não estava disposto a ir para os EUA e fazer outro A Vida dos Outros. Ele queria fazer algo tão diferente que não pudesse ser comparado. Não podemos compará-los. Se você é o diretor de A Vida dos Outros, você é o cara que todos vêm cumprimentar o tempo todo, o que é legal. Mas você também é o cara que pode estar se perguntando: "Deus do céu, e agora? Eu preciso fazer algo novo."

Você protagonizou este ano Creation, filme denso. Agora faz um detetive loser. Que tipo de personagem prefere?

Não sei. Gosto da ideia de realizar diferentes filmes. Enquanto vivia Darwin, vários quilos mais gordo e careca, pensava: "Queria estar com uma arma na mão, atirando em vampiros", coisa que fiz em Priest, logo depois. Quando estava atirando em vampiro, pensei: "Droga, deveria estar fazendo outro Darwin." Gosto de personagens dramaticamente opostos.

E você faz vozes para Iron Man, mas também está em Dogville.

Sim, filmes bem diferentes. Mas devo admitir que não controlo esses impulsos. Quando estou fazendo um filme como The Tourist, com grande orçamento, desejo fazer um filmezinho bem econômico. E quando faço no verão algo como Margin Call, com gente como Kevin Spacey, Jeremy Irons, Zach Quinto, em 17 dias, um filme de 110 páginas de roteiro, digo que preciso de um filme maior para ter mais tempo.

E agora vira o fio de novo e protagoniza Priest, sobre vampiros.

Foi muito divertido. Não é como ser criança de novo. Mas não é como ser Charles Darwin.Eu gostaria de dizer que quero fazer de novo o personagem de Charles Darwin, mas não é verdade. Eu me interesse por Darwin desde que tenho 11, 12 anos. Mas eu Quis ser ator pela primeira vez vendo filmes de John Wayne. O que queria era atirar em gente, não ser o "avô da evolução". Estes filmes são tão divertidos quanto a infância. É como um sonho de garoto de colégio.

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