''Gostamos do caos'', diz líder do Flaming Lips

Há quase 30 anos injetando cor, pirotecnia e refinado sarcasmo no pop mundial, o Flaming Lips também sofisticou seu circo roqueiro no caminho. Formada em Oklahoma em 1983, a banda liderada por Wayne Coyne fez o que parecia impossível: deu nova conformação à psicodelia, tirando-a do território exclusivo dos anos 60, e conectando-a com outras fontes do pop. No domingão de sol, Coyne concedeu uma entrevista exclusiva ao Estado.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2011 | 00h00

Em Chicago, vi Christmas in Mars, em uma tenda de circo. Foi uma experiência e tanto. Você pensa em fazer um novo filme?

Gosto de fazer filmes. Mas não sei se faremos algo assim de novo, um filme para tendas. A trilha sonora que fizemos era uma barulheira infernal. Mas o cinema está sempre nos meus planos.

Você é fã de ficção científica? Que filme curtia na adolescência?

Gosto daqueles filmes espaciais, que afetaram bastante meu subconsciente quando estava em formação (risos): 2001 - Uma Odisséia no Espaço e aquele filme do David Lynch, Duna.

Você está sempre com esse terno cinza e coletinho. Por quê?

Todo mundo deve pensar que uso isso em casa, mas só uso em situações como essa porque facilita, todo mundo me reconhece. Antes eu usava roupas mais coloridas, mas algumas causavam efeitos estranhos nas câmeras. O cinza é neutro. Não tenho um guarda-roupas cheio deles, tenho apenas três ternos.

Você estava nos bastidores da banda Edward Sharpe & The Magnetic Zeros. É fã deles?

Tocamos por aí há tanto tempo, em tantos festivais, que acabamos nos tornado amigos. É um grupo que impressiona. Acho que o som deles trata mais de buscar uma vibe, uma emoção. Eles amam fazer aquele som massudo, todos tocando ao mesmo tempo, e nisso nós temos alguma diferença.

Quando vocês começaram, os shows teatralizados eram mais raros. Hoje há muitos grupos assim. Como vê isso?

Eu cresci vendo Pink Floyd, Alice Cooper. Nós nunca tivemos a pretensão de fazer shows com instrumentação virtuosística. Não que não tenhamos ótimos músicos na banda. Mas nossa ideia é, basicamente, como colocar tudo isso, todos os elementos, num show, criar uma atmosfera, uma espécie de caos. Gostamos dessa ideia de caos.

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