Gorete Milagres

Ela conquistou o Brasil como Filomena. E hoje, quatro anos depois da última apresentação da doméstica mais famosa do país, prepara novo espetáculo

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2010 | 00h00

Como você, de bancária em Belo Horizonte, passou a atuar?

Foi um processo natural, mas tardio. Sempre tive verve de atriz. Desde pequena adorava "criar situações", encenar nas festas de fim de ano. Mas sou caçula de uma família numerosa e, como "cada um tinha sua vez" de investir na carreira, fiquei por último. Era bancária e achei que nunca mudaria. Um belo dia, aos 27 anos, cheguei à conclusão de que não dava mais.

E foi estudar artes cênicas na Universidade Federal de Minas Gerais antes de "ser a Filó".

Eu já fazia a Filó desde os 11 anos, em festas. Certo dia, dois meses depois das aulas começarem, a universidade entrou em greve. E eu tinha de apresentar uma cena cômica para o Ivan Feijó, diretor de São Paulo, que ia montar uma opereta, sem nem ter tido muita aula. Escrevi o texto e mostrei para uns colegas, que acharam péssimo. Desisti. Na manhã seguinte, acordei e pensei: "Não posso dar ouvidos às criticas. Vou." Fui, apresentei e passei. O personagem era a Filomena.

Como surgiu a inspiração?

Ela é muitas mulheres. É uma homenagem às tantas domésticas que conheci, às minhas tias, minhas avós... Quem não conhece alguém como ela? Tão simples, humilde, mas extremamente perspicaz, engraçada, feliz... Filó nasceu da minha observação do mundo.

Ao mesmo tempo em que criou a Filó instintivamente, há nela muito de Commedia Del"Arte. Não sofreu preconceito de quem confundiu a Filó com a Gorete?

Demais. Ao mesmo tempo em que a Filó me fez tão feliz, tornou-me conhecida em Belo Horizonte, abriu as portas da TV, que me deu o que sou hoje, fiquei estigmatizada. Sempre haverá quem não sabe distinguir a personagem da atriz. Por um tempo, cansei e "deixei a Filó guardada". Para me renovar, fui atuar no cinema e estudar direção, fazer outros papéis na TV,

Hoje, quatro anos depois, pensa em "tirar a Filó do armário"?

Há tempos que sinto saudade dela. E estou criando um novo figurino para ela, novo espetáculo e novo programa de TV. Ela vai voltar repaginada, mais bem vestida. Estudou, virou governanta mensalista e se sofisticou. Mas vai sempre ter a graça da simplicidade. É uma personagem muito querida.

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