Golijov e a ousada união de sons

"Milton Nascimento, Chico Buarque, Tom Jobim" - estes são os compositores favoritos de Osvaldo Golijov, o argentino que teve três concertos dedicados a sua obra semana passada pela Osesp. Ele participou, sexta-feira, pouco antes do segundo concerto na Sala São Paulo, de um encontro com o público, iniciativa conjunta da Osesp com o Estado.

João Marcos Coelho ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2010 | 00h00

Perto de seus 50 anos, que completará no dia 5 de dezembro, Golijov só exibiu certezas. Titubeou apenas quando, surpreso pelos nomes de seus compositores favoritos, alguém da plateia insistiu na pergunta. Só aí, então, o compositor-sensação nos meios eruditos contemporâneos norte-americanos soltou nomes mais convencionais, como o estoniano Arvo Pärt, rememorou o passado quando gostava de Stockhausen e concluiu assim: "Depende do tipo de obra no qual estou trabalhando. No momento, Beethoven me soa contemporâneo".

Golijov mistura para valer música erudita com as várias músicas populares que fizeram sua cabeça. Cabem neste caldeirão os brasileiros citados, o tango, o universo latino-americano popular, a música judaica e pitadas de leste europeu (sua família é originária da Romênia). Sincero, confessou que "o Brasil me ensinou a não ter medo de nada, a não ter medo de não ser puro. No Brasil, assimila-se tudo sem perder a identidade. Como Milton Nascimento".

Vivemos em vários mundos, portanto estar em paz com eles e integrá-los de modo original é a missão do compositor atual. Evocou a sinagoga, onde várias coisas acontecem ao mesmo tempo, para justificar seu estilo musical. E as vanguardas radicais dos anos 50/70 do século passado, ainda seriam possíveis hoje? "Hoje tudo é legítimo."

Adora mudar de idiomas musicais e considera que, em Azul, o concerto para violoncelo e orquestra apresentado com a Osesp, "finalmente consegui integrar verdadeira e organicamente todas as músicas que amo".

Quem ouviu ficou com a impressão de que popular e erudito ainda estão longe de se interpenetrarem em Azul, como imagina Golijov.

Em todo caso, ficou a certeza de que concertos de música viva e encontros como este são fundamentais para uma vida musical saudável - do lado dos músicos e, sobretudo, do lado do público.

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